01/04/2012 - 0:00
Arraes: “A Embrapa tem R$ 12 milhões para ajudar a África”
Agricultura: na região de Cheki, na Etiópia, produtores ainda utilizam animais para arar a terra
Pedro Arraes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), viajou seis vezes para a África durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2002 e 2010. Nessas ocasiões, Lula enfatizava o crescente interesse dos africanos pela tecnologia brasileira. “A partir dessas visitas, a Embrapa começou a planejar qual seria o caminho para aproximar seus agricultores”, diz Arraes. A resposta chegou no dia 8 de março, quando a Embrapa assinou em São Paulo, com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), um acordo de cooperação para a criação de um portal de conhecimento na internet, batizado de Portal África.
Para Arraes, o portal é mais um instrumento de extensão rural para ajudar os produtores. “Os agricultores poderão acessar informações sobre sistemas de produção de culturas como coco, caju e cereais, pastagens, plantio direto, irrigação, colheita e armazenagem”, diz. Segundo ele, as culturas que mais despertam interesse na África são as de soja, feijão, milho e algodão, em função do clima muito parecido com o Brasil. O site será apresentado ao público no fim de abril. “Vamos monitorar que tipo de informação é mais acessada e em seis meses será possível uma primeira análise do impacto da ferramenta”, diz Arraes. “Queremos que ela funcione como um banco de dados.”
Na opinião de Celso Casale, presidente da Abimaq, a África pode oferecer oportunidades de negócios aos brasileiros. “As máquinas e implementos agrícolas fabricados no País e as tecnologias criadas pela Embrapa devem contribuir fortemente para o desenvolvimento agrícola daquele continente”, diz Casale. Hoje, as exportações brasileiras do setor para a África é de cerca de R$ 8 bilhões.
Com a organização do portal, a Embrapa, além de ser uma unidade de pesquisas, começa a figurar também como gestora de negócios. “Já recebemos R$ 12 milhões para projetos na África”, diz Arraes. Uma das doadoras mais importante é a Bill & Melinda Gates Foundation, de Seattle, nos Estados Unidos, presidida pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, e por sua mulher, Melinda. A fundação doou US$ 2,5 milhões ao projeto.