ANTONIO IAFELICE: o alto preço da soja não impediu o empresário de construir uma planta esmagadora

Enquanto muitas empresas do agronegócio enfrentam um verdadeiro inferno astral por verem seus investimentos depreciando, como é o caso das companhias que apostaram em unidades de biodiesel, hoje inviável por conta do alto preço da soja, a Agrenco acaba de inaugurar o Complexo Industrial de Alto Araguaia, em Mato Grosso. Seu diferencial: a flexibilidade. A planta permite a produção de óleo vegetal e biodiesel, bem como de farelos provenientes de várias matérias- primas. O mercado vai ditar as regras. Se for favorável para óleo refinado, a opção será por ele. A máxima vale para os demais produtos. Outro diferencial é a co-geração de energia elétrica, insumo que representa 60% dos custos na extração de óleo vegetal. “Fizemos um projeto integrado para ser flexível, auto-sustentável e custar pouco em termos de energia”, diz Antonio Iafelice, presidente da Agrenco.

No caso da geração de energia, o grupo inovou: colocou caldeiras de alta pressão, as mesmas usadas em usinas para queimar bagaço, mas a matéria-prima escolhida foi o capim braquiária por ter melhor desempenho. Conclusão, os gastos do complexo com energia serão reduzidos à metade, o que permitirá à empresa ter um preço mais competitivo no produto final. Outra vantagem é a venda de créditos de carbono. Para este ano, a previsão é faturar US$ 17 milhões, o equivalente a um milhão de toneladas de carbono não emitido. A planta também se destaca pela produção do farelo super- hipro (SHP), com mais de 50% de proteína e livre de salmonela por causa da baixa umidade. Cerca de 80% deste produto premium será voltado à exportação e ele terá um valor diferenciado. Por ser mais concentrado, o SHP reduz os custos logísticos. Além da unidade para esmagamento de soja, o complexo está preparado para prensagem de caroço de algodão, girassol e outras oleaginosas. Em relação ao segundo, a empresa incentivou o plantio da flor como cultura de inverno. A Agrenco garante a comercialização e fornece sementes e assistência técnica. Com o apoio, a área de girassol de Mato Grosso, que era de 20 mil hectares, saltou para 80 mil. Outra planta que o grupo está testando é o crambe, uma oleaginosa com um percentual de óleo de 40%.

A unidade de produção de óleo refinado para consumo humano é a mesma que pode fabricar biodiesel. A partir de qualquer matéria-prima gordurosa, a planta permite a produção do combustível tanto no padrão europeu quanto no americano (B 100). Além disso, detém a tecnologia para processar a glicerina, que é um subproduto na produção de biodiesel. O valor investido no Complexo Araguaia foi de US$ 110 milhões, capital proveniente do lançamento de ações da empresa, feito no ano passado.

PLANTIO DE INVERNO: a empresa investiu no girassol como opção para a fabricação de óleo vegetal