01/03/2008 - 0:00
Em 2007, a Volkswagen Caminhões comemorou um feito histórico. Ao fechar o balanço de dezembro, a companhia transformou-se na maior fabricante de veículos pesados do País, roubando pela primeira vez uma posição que, durante mais de 50 anos, pertenceu à Mercedes- Benz. De suas linhas de montagem, saíram 39,4 mil unidades de caminhões. O caminho que levou a Volks ao topo do pódio passou por fazendas, sítios e chácaras. As vendas para o campo cresceram 43% em 2007, enquanto a comercialização total da marca aumentou apenas 32%. “O crescimento da safra e os investimentos maciços em cana-de-açúcar foram decisivos para o excelente desempenho do ano passado”, diz Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Ônibus e Caminhões. Além disso, o aumento nas exportações de carne também ajudou, e muito, nas vendas dos pesados. Para este ano, a história parece se repetir. As encomendas já consomem toda a produção da companhia até março. Só a Friboi, maior produtora de carnes do País, fechou um contrato de compra de 240 caminhões pesados.
Cortes afirma que a principal arma para vencer a concorrência tem sido os prazos de entrega de seus produtos, mais curtos do que os da concorrência. Enquanto alguns modelos de outras montadoras não estão disponíveis antes de seis meses, a Volks entrega as chaves de seus veículos em dois meses. Para isso, a empresa aumentou sua capacidade industrial em 34% ao longo de 2007 – sem a necessidade de investir em novas linhas de montagem. Além de contratar 200 novos trabalhadores, a empresa ergueu um centro logístico ao lado da sua fábrica em Resende, Rio de Janeiro. Para lá, foi transferida a montagem de alguns conjuntos de componentes, liberando espaço na linha de produção. Outra vantagem diante da concorrência, segundo Cortes, encontra-se no desenvolvimento dos produtos. “Os caminhões da Volkswagen são criados aqui no Brasil”, diz ele. Com isso, já nascem para atender às condições das estradas do País, ao contrário dos pesados de outras montadoras, desenhados no Exterior e adaptados para rodar por aqui. “No meio rural, as vias para escoamento da produção agrícola têm o chão de terra batida e, quando são pavimentadas, encontram-se danificadas”, afirma Cortes. “Quem possui o produto mais robusto e adequado para essa realidade, leva vantagem sobre os outros.” Foi assim que a Volks, em menos de dez anos, dobrou sua participação nas vendas no mercado interno para 30,5%, superando a antiga líder, a Mercedes-Benz.