Em 2007 o cavalo Baloubet du Rouet, campeão dos Jogos Olímpicos de Atenas, se despediu das pistas. Não há no mundo outro animal que tenha ganhado tantos prêmios importantes como este alazão, de propriedade do empresário português Diogo Coutinho. Entre o dinheiro levantado em competições e a venda de coberturas, estima-se que o cavalo tenha rendido ao seu dono cerca de € 10 milhões. “Ele possui algo em torno de 1.500 filhos e cada cobertura é vendida a € 3 mil”, explica Nelson Pessoa, responsável por administrar a carreira e os treinamentos do cavalo desde que o animal tinha dois anos, na Bélgica.

No Brasil, alguns haras têm comprado sêmen de Baloubet na esperança de lançar um novo craque e faturar com isso. No ano de 2000, Coutinho, dono do campeão, rejeitou uma proposta de US$ 5 milhões, feita por uma princesa árabe. À época, conta- se nos bastidores do esporte, o empresário teria sido lacônico, apenas dizendo não haver nenhuma placa de “vende-se” em seu cavalo.

Lendas à parte, fato é que há 55 filhos de Baloubet registrados na Associação dos Criadores de Cavalo de Hipismo, no Brasil. Com 14 animais descendentes do campeão olímpico, o empresário Sergino Ribeiro de Mendonça acredita que fará bons negócios utilizando a genética do famoso alazão.

 

 

“Baloubet possui algo em torno de 1.500 filhos, mas só agora, aposentado, ele será realmente usado como um reprodutor “ ” MILHÕES € é quanto Baloubet arrecadou entre prêmios e coberturas”

NELSON PESSOA: ex-cavaleiro e administrador da carreira de Baloubet

 

 

Dono do haras Agromen, criatório que carrega o nome da empresa familiar, Ribeiro acredita que venderá bem esses animais. “O fato de serem filhos de um reprodutor com tanta história, sem dúvida valoriza muito esses potros”, explica.

Quem também está de olho nessa genética é o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Administrativo do Grupo Gerdau e dono do Haras Joter, no Rio Grande do Sul. Mais bem-sucedido criador de cavalos de salto do Brasil e um dos mais premiados do mundo, Gerdau possui duas fêmeas, filhas de Baloubet. No mercado, o empresário tem dito ter esperanças de que essas fêmeas, misturadas aos seus cavalos, produzam animais diferenciados. “É um cavalo que descende de uma família muito importante e pode gerar matrizes magníficas”, declarou recentemente. Se Baloubet repetirá como reprodutor o que fez nas pistas, ninguém arrisca afirmar. “Acho difícil, mas pode acontecer”, avalia Bia Nicotero, juíza de cavalos de salto e criadora em São Paulo. O que será do futuro dos filhos de Baloubet? A única certeza é que eles são, na verdade, um grande negócio.

 

 

“É um cavalo que descende de uma família importante que pode gerar boas matrizes”

JORGE GERDAU, empresário e criador