01/02/2012 - 0:00
Mecanização: o setor movimentou R$ 1,5 bilhão em vendas em 2011
A John Deere e a Case, multinacionais do segmento de máquinas agrícolas, controlam 95% das vendas de colhedoras de cana-de-açúcar, um mercado que movimentou R$ 1,5 bilhão no ano passado, com a comercialização de cerca de mil unidades. Esse predomínio avassalador em princípio desestimularia a entrada de novos competidores, aconselharia o bom-senso. Pois os americanos da AGCO, dona das marcas de tratores Massey Fergunson, Valtra, Chalenger e Fendt, decidiram ignorar a prudência e entrar com tudo na briga por uma fatia em um setor que só tende a crescer nos próximos anos, em função dos gigantescos investimento previstos para ampliar a produção de etanol e açúcar. Um setor que movimentou R$ 60 bilhões em 2011, uma elevação de 15% em comparação a 2010.
Para encarar o desafio, a AGCO não está partindo do zero. Sua primeira providência foi adquirir os 5% restantes do mercado de colhedoras de cana, mediante a compra, por US$ 31 milhões, ou 60%, da Santal Equipamentos, de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, no início deste ano. “Com a compra do controle da Santal, nossa meta é deter 25% do mercado de colhedoras de cana-de-açúcar em cinco anos”, diz André Carioba, vice-presidente sênior e gerente-geral da AGCO América do Sul. A Santal foi criada em 1960 pelo engenheiro mecânico Luís Antônio Ribeiro Pinto, para fabricar colhedoras, carregadoras e transbordos de cana-de-açúcar.
Hoje, ela emprega 350 funcionários em sua base de Ribeirão Preto e opera em 25 países das Américas do Sul e Central, Caribe e África.
Uma colhedora pode fazer
o trabalho de até 100 homens
Carioba: “Ribeirão Preto é prioridade nos investimentos da AGCO, já que a região é forte em cana”
Não será fácil para a AGCOSantal brigar com as duas gigantes do setor, empresas que mantêm políticas agressivas de lançamento de produtos no mercado. A John Deere, por exemplo, foi a primeira a apresentar uma colhedora que rompeu a barreira de mil toneladas de cana crua colhidas em 24 horas. E isso aconteceu cinco anos atrás. Hoje, esse tipo de máquina, que pode custar até R$ 850 mil e faz o trabalho de 100 homens cortando cana queimada, e de mais de 200 homens cortando cana crua, é um produto comum no mercado. Embora reconheça as dificuldades do presente, Carioba acredita que a AGCOSantal, que faturou R$ 3 bilhões na América Latina, no ano passado, tem um arsenal de peso para vencer o desafio de ser um player de respeito nesse mercado. “Ribeirão Preto é prioridade nos investimentos da AGCO, já que a região é forte em cana”, diz Carioba. Atualmente, todo o setor de engenharia voltada para o desenvolvimento de máquinas agrícolas está concentrado nas unidades brasileiras, a cargo da equipe de desenvolvedores de produtos, com cerca de 200 engenheiros. Carioba diz que a estratégia é criar uma sinergia entre as equipes técnicas da AGCO e da Santal para aperfeiçoar o maquinário da atual linha de produtos Santal, composta por 11 itens. “Os engenheiros da AGCO conhecem tratores, cabines, tração e motores”, diz. “Os da Santal são bons para desenvolver colhedoras. A ideia é misturar as tecnologias para obter o melhor resultado.”
Além das colhedoras, o que atraiu a AGCO para o negócio foram as vendas dos transbordos de cana-de-açúcar. Os transbordos são os veículos que transportam a colheita do campo para a usina. “A Santal é líder de mercado nesse segmento, desde a década de 1960”, diz Carioba. Em 2011, a empresa vendeu mil equipamentos para a transferência da cultura. As pesquisas na área de engenharia buscam, por exemplo, por pneus de alta flutuação e veículos com bitola mais larga (distância entre duas rodas) para evitar a compactação do solo nas áreas de cultivo de cana. Um equipamento de transbordo pode custar de R$ 60 mil a R$ 70 mil. “O desempenho na venda de transbordos, que pode ser melhorado, é uma de nossas armas para ganhar ainda mais o mercado interno de colhedoras.”