“Não temos planos para mudar as tarifas de importação para o etanol brasileiro”

Barack Obama, presidente dos EUA

A cada dia surge uma nova fonte para a produção de etanol. Agora, a bola da vez é o sorgo, gramínea utilizada para rotação de culturas e na indústria de ração animal. Estudos recentes indicam que ele, conhecido como o primo pobre do milho, pode ser uma alternativa para a indústria do etanol americano. Esta nova bandeira tem sido defendida por Vikram Shroff, executivo da United Phosphorus, uma empresa indiana que vende sementes de sorgo, fertilizantes e pesticidas. Para Estados como o Texas, cujo clima pode ser um grande colaborador, ele tem defendido o consórcio entre sorgo, milho e até a cana-de-açúcar, dizendo que a combinação é mais barata e eficiente, além de não concorrer com alimentos.

“Manter os subsídios ao milho é uma questão de segurança energética para os americanos”

Charles Rassley,

senador dos EUA

No momento, os principais clientes da companhia em território ianque são os laboratórios das universidades, mas experimentos da empresa no Texas mostram que o dueto sorgo-cana pode render 750 galões de etanol por acre, ante 450 galões de etanol do milho de Iowa. Outra vantagem do sorgo é o potencial para a geração de bioeletricidade. Enquanto não baixam os custos de produção, no Congresso americano, produtores de milho têm se ocupado em barrar a entrada do etanol brasileiro.

A combinação de sorgo e cana-de-açúcar em parte dos EUA pode mudar o modo de os americanos produzirem

Recentemente, o senador republicano Charles Ernest Chuck Grassley, produtor em Iowa, defendeu de forma dura os privilégios dos produtores de milho. Ele chegou a ameaçar atrasar a nomeação do novo embaixador dos EUA para o Brasil, Thomas Shannon, por causa de uma declaração de que o fim da tarifa imposta ao etanol brasileiro, de R$ 0,27 por litro, seria benéfica a ambos países. O grito de Grassley fez o presidente Barack Obama recuar, dizendo que não tem planos de mudar a política atual. A indústria da gasolina nos EUA precisará de, no mínimo, 7,5 bilhões de galões de etanol em 2012, o que ainda dá esperanças ao etanol brasileiro.