05/01/2026 - 17:52
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) informou ao governo de Mato Grosso que a entidade e muitos de seus membros abandonaram um pacto de quase 20 anos que protege o bioma amazônico do desmatamento causado pelo cultivo da soja.
O acordo da Moratória da Soja proíbe os signatários de comprar soja cultivada em fazendas amazônicas desmatadas após julho de 2008.
Em um anúncio nesta segunda-feira, 5, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, disse que a Abiove informou oficialmente ao governo do Estado, maior produtor de soja do Brasil, que a associação e os principais comerciantes estavam deixando o pacto.
Uma mudança na legislação tributária em 1º de janeiro é um fator fundamental.
A Abiove, que inclui a ADM, a Bunge, a Cargill, a Cofco e a Louis Dreyfus entre seus membros, confirmou em um comunicado posterior que havia iniciado conversas para sair do pacto, que é apoiado pelo governo federal e por grupos conservacionistas.
O grupo e cerca de dois terços das empresas que participavam anteriormente não apareciam mais na segunda-feira no site do acordo de moratória.
O WWF disse em um comunicado que a decisão foi um retrocesso ambiental.
A saída das empresas do pacto “enfraquece um dos instrumentos mais eficazes de combate ao desmatamento no país” e expõe os agricultores a riscos climáticos cada vez maiores, disse o WWF.
O Greenpeace também criticou a medida, dizendo que ela violaria as promessas feitas aos investidores e aos mercados internacionais.
Acredita-se que a moratória tenha desacelerado a destruição da maior floresta tropical do mundo. No entanto, como informou a Reuters na semana passada, alguns dos maiores comerciantes de soja do mundo estavam se preparando para sair do acordo para preservar os benefícios fiscais no Mato Grosso, onde uma nova lei que elimina os benefícios para os participantes da moratória entrou em vigor no início de 2026.
A Aprosoja-MT, uma associação que representa os agricultores do Mato Grosso e que pressionou as empresas durante anos para que encerrassem o pacto, recebeu com satisfação o anúncio da Abiove.
O grupo de fazendeiros considerou a decisão uma vitória, alegando que o acordo de moratória é ilegal e injusto para aqueles que cumprem o Código Florestal Brasileiro.
A Abiove disse que as empresas serão individualmente responsáveis pelo cumprimento de seus próprios compromissos de conservação.
“O legado do monitoramento e a experiência adquirida ao longo de quase 20 anos não serão perdidos”, afirmou.
