São Paulo, 13/12 – A cinco unidades brasileiras de abate de frangos que foram suspensas pela China, no dia 23 de setembro, devem ser reabilitadas até janeiro, conforme expectativa dos diretores da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China bloqueou as exportações destes abatedouros, segundo a ABPA, por questões técnicas.

Foram duas plantas de aves da JBS, em Amparo (SP) e em Rolândia (PR), uma em Dourados (MS), da BRF, além de unidades da Copacol e da Cooperativa Agroindustrial LAR, ambas no Paraná. Desde que o bloqueio aconteceu, as exportações médias mensais de carne de frango para os chineses recuaram de 47 mil toneladas para 30 mil toneladas.

Segundo o vice-presidente Técnico da ABPA, Rui Vargas, há cerca de 30 dias o Brasil enviou aos chineses documentos e respostas aos questionamentos do país asiático no processo de bloqueio destas unidades, o que permite vislumbrar uma solução no curto prazo. “Vale ressaltar que estas plantas foram suspensas por causa de problemas documentais e não tiveram nenhuma questão envolvendo a qualidade do produto”, disse.

Além disso, o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, afirmou que, desde outubro a China tentou diminuir o preço de compra e isso fez uma migração de alguns exportadores para outros mercados.

A perspectiva dos executivos é de que a China seja levada a dobrar suas exportações da proteína em 2017 e em 2018, por causa de uma forte queda na produção local, em virtude de questões sanitárias e de uma reorganização do setor local. O Brasil é um dos fortes candidatos a abocanhar parte deste mercado.

Ainda sobre as possibilidades de expansão dos embarques para a China, o vice-presidente de Aves da ABPA, Ricardo Santin, disse que existe a possibilidade de as agroindústrias brasileiras expandirem o mix de produtos vendidos aos chineses. “O principal produto era pé e asa de frango, mas a carência mostrou que podemos exportar coxa e sobrecoxa”, disse.

Além das cinco unidades a serem reabilitadas, a ABPA espera que ao menos outros sete abatedouros sejam habilitados a exportar para os chineses. Atualmente, o Brasil tem 30 unidades aptas a exportar para o mercado chinês. De janeiro a novembro deste ano, a China comprou 451 mil toneladas de carne de frango do Brasil, um aumento de 63% em relação a igual período do ano passado.