25/06/2026 - 17:48
A segunda safra de milho do Brasil em 2025/26 foi estimada nesta quinta-feira em 115,8 milhões de toneladas, acima das expectativas iniciais, mas ainda abaixo do ciclo passado por um clima mais desafiador na atual temporada, afirmou a Agroconsult após o encerramento da expedição técnica Rally da Safra, que mediu as produtividades nos campos.
A estimativa da colheita da segunda safra, que representa a maior parte da produção de milho do Brasil, foi elevada em 3,4% em relação à previsão da consultoria anterior ao início da expedição, principalmente por resultados melhores do que os esperados em parte das lavouras de Mato Grosso, principal Estado agrícola do país.
Ainda assim, a segunda safra de milho do Brasil — o terceiro produtor do cereal no mundo e um dos maiores exportadores — deverá sofrer uma queda de 7,6% na comparação com ciclo anterior, quando marcou um recorde de 125,3 milhões de toneladas, segundo dados da Agroconsult.
A redução anual decorre de uma menor produtividade média esperada, uma vez que a área plantada de milho segunda safra, estimada em 18,2 milhões de hectares, ficou praticamente estável em relação ao ciclo anterior.
A Agroconsult citou problemas climáticos em Goiás, sudeste de Mato Grosso, norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, áreas impactadas pelos atrasos na semeadura.
Nessas regiões, o plantio ocorreu fora da janela considerada ideal, provocando redução de área e perdas significativas de produtividade devido à interrupção prematura das chuvas em abril e maio, afirmou a Agroconsult.
“Plantar tarde traz risco para a produção de milho, não necessariamente traz problemas”, disse o sócio-diretor da Agroconsult e coordenador do Rally, André Debastiani, ao apresentar os dados a jornalistas.
Ele lembrou que no ano passado, quando o Brasil teve uma safra recorde, as chuvas se estenderam mais, garantindo melhores produtividades em muitas regiões, incluindo aquelas com algum atraso.
“A safra tinha potencial de crescimento muito grande, mas ele não aconteceu por conta desses atrasos”, disse, pontuando que em algumas regiões a área plantada ficou abaixo do previsto, em momento em que produtores lidam com uma rentabilidade menor, por maiores custos e preços pressionados.
Debastiani chamou a atenção, contudo, para as disparidades produtivas em um mesmo Estado, como o caso de Mato Grosso, com excelentes produtividades mais ao norte.
Onde não foi possível plantar milho, o sorgo — que suporta mais uma situação de estresse hídrico e também pode ser usado para a produção de etanol de milho — registrou avanços expressivos de área.
Um fenômeno climático El Niño poderia exacerbar riscos de atrasos para a nova safra (2026/27), disse o sócio da Agroconsult e gerente da consultoria para o mercado de grãos, Adriano Lo Turco, ao ser questionado.
Mas ele ponderou que é cedo para cravar qualquer projeção de impacto para a safra de milho e outras consequências, como novo aumento do plantio de sorgo.
Outros riscos
Com a colheita em andamento em algumas áreas, produtores estão monitorando o risco de frio no Paraná e Mato Grosso do Sul sobre lavouras ainda em fase de enchimento de grãos.
“Embora o potencial de perdas seja limitado neste estágio da safra, o clima permanece no radar dos produtores”, disse a consultoria em nota.
Considerando a primeira safra, a produção total de milho do Brasil está projetada em 144,1 milhões de toneladas, versus 140,5 milhões de toneladas no início de maio, contra um recorde de 152,3 milhões de toneladas no ciclo anterior.
Esse volume poderia ter sido maior, indicaram os analistas, não fosse uma infestação importante de lagarta do cartucho nas lavouras de segunda safra. Debastiani estimou que o país deixou de produzir pelo menos 700 mil toneladas por conta desse problema fitossanitário.
Para o especialista, a situação reforça a necessidade de um manejo integrado. “A biotecnologia não é 100% eficiente em alguns casos… não existe bala de prata, vai ter que considerar diferentes manejos.”
