06/05/2026 - 7:30
O agronegócio brasileiro consolidou sua força no mercado de trabalho ao atingir o recorde de 28,4 milhões de ocupados em 2025. Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). O montante representa 26,3% de toda a mão de obra do País, superando o índice de 26,1% registrado em 2024.
O avanço de 2,2% no contingente do agronegócio superou a média do mercado de trabalho nacional, que cresceu 1,7% no mesmo intervalo. De acordo com pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado foi sustentado principalmente pelo setor de agrosserviços. A expansão está ligada à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos até a logística de insumos.
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O bom momento da agropecuária, impulsionado por recordes consecutivos em safras e abates, ampliou a demanda por serviços de apoio, intensificando a absorção de mão de obra qualificada. No segmento de insumos, a alta foi de 3,4% em 2025, motivada pelo desempenho das indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Para a agroindústria, o crescimento anual foi de 1,4%.
Mudança de perfil e qualificação
Em contrapartida, o segmento primário, chamado de dentro da porteira, registrou queda de 1,1% nas ocupações. O recuo reflete a redução do contingente na agricultura, enquanto a pecuária apresentou estabilidade. Especialistas apontam que essa migração de postos de trabalho do campo para os serviços e indústrias correlatas indica uma transformação estrutural e tecnológica no setor.
O perfil do trabalhador do campo também mudou. Em 2025, houve uma elevação clara no nível de instrução: o número de profissionais com ensino superior cresceu 8,3%, enquanto os trabalhadores sem instrução recuaram 7,6%.
No recorte por gênero, o mercado de trabalho do agronegócio mostrou-se mais inclusivo. O número de mulheres ocupadas cresceu 2,6% (278.046 pessoas), ritmo superior ao avanço masculino, de 1,9% (323.761 pessoas). A formalização também atingiu patamares inéditos por meio do crescimento de 4,6% nas vagas com carteira assinada, somando mais de 440 mil novos contratos formais.
