10/03/2026 - 10:50
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou no domingo, 8, que vai investigar denúncias sobre dificuldades na aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul, além de denúncias de altas “injustificadas” de preços do combustível no momento em que o setor está em colheita de suas principais safras.
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No sábado, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou nota manifestando “preocupação com reclamações recorrentes, por parte de produtores rurais, da não entrega de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) nas últimas 48 horas e a informação de que o serviço não será normalizado neste final de semana”.
“Conforme as empresas responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais, o problema inicia nas refinarias que, sem aviso prévio ou justificativa, suspenderam a distribuição desses combustíveis”, disse a Farsul.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) alertou, separadamente, para relatos de produtores sobre cancelamento de pedidos de diesel e aumento superior a R$1,20 por litro no combustível no Rio Grande do Sul.
Procurado, o Sindicato Nacional do Comércio Transportador-Revendedor-Retalista (SindTRR) indicou que há restrições na oferta de combustíveis da parte das distribuidoras.
Em uma carta às associadas obtida pela Reuters, o SindTRR afirmou que “tão logo começamos a receber reclamações vindas de associadas de todas as regiões do país relatando restrições no fornecimento de diesel aos TRR pelas distribuidoras, mantivemos contato com as superintendências da ANP, informando sobre as restrições existentes”.
Acusações contra distribuidoras
Na semana passada, a Fecombustíveis, que reúne sindicatos patronais que representam cerca de 45 mil postos de combustíveis no país, afirmou ter recebido relatos de que distribuidoras estão elevando os preços, por impacto da alta do petróleo no mercado internacional devido ao conflito no Golfo Pérsico, ainda que a Petrobras, que responde pela maior parte do abastecimento, não tenha alterado seus preços ainda.
Procurado, o IBP, que reúne as maiores distribuidoras, afirmou que não comentaria o assunto. A Brasilcom, que reúne as distribuidoras regionais, não comentou o tema imediatamente.
A denúncia dos produtores foi feita em momento em que produtores estão iniciando a colheita de soja e arroz no Estado, enquanto a colheita de milho está em andamento.
A ANP, por sua vez, afirmou que ao longo do final de semana entrou em contato com os principais fornecedores da região, e apurou que o Estado do Rio Grande do Sul “conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel”.
A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras, segundo a ANP.
A Petrobras afirmou em nota que “não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado”.
Especificamente em relação ao Rio Grande do Sul, a companhia disse que ratificou que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado.
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Além da Refap, o Rio Grande do Sul conta com a Refinaria Riograndense, que tem participação da Petrobras.
“Equipes técnicas da ANP estão realizando verificação das instalações e operações relevantes. As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos”, disse a autarquia.
“Caso seja necessário, a agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”, destacou.
A ANP disse ainda que o Rio Grande do Sul é um Estado que produz mais diesel do que consome.
A agência disse ainda que não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto.
“Além disso, informamos que aumentos de preços injustificados no Estado também serão objeto de investigação da ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.”
Não foi possível falar imediatamente com a Refinaria Riograndense.
