O consumo de uva exige uma dose de coragem. Na última análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 33% das amostras estavam contaminadas por agroquímicos. Mas uma nova tecnologia promete pôr fim ao problema. Trata-se de um sistema de controle de insetos por temperatura, TPC, sigla em inglês. Descoberta pelo chileno Florêncio Lazo, a tecnologia, já reconhecida no seu país de origem, agora está sendo testada no Brasil, pelo enólogo Mario Geisse na vinícola Geisse, no Rio Grande do Sul. “Conseguimos um resultado surpreendente eliminando o uso de pesticidas. A análise das uvas constatou a presença do dobro de resveratrol (substância que combate o envelhecimento das células) das tratadas com agrotóxicos”, diz Daniel Geisse, diretor comercial da vinícola.

A lógica do TPC é simples. Consiste em um sistema de combustão de gás liquefeito de petróleo (GLP) que esquenta o ar e, por meio de uma máquina rebocada por um trator, o lança no parreiral a 200 km/h e a 150ºC. O jato elimina fungos, bactérias e insetos. No caso da vinícola Geisse, o custo se equiparou ao que se tinha com os agroquímicos. Mas a empresa não está focada em quantidade. O custo-benefício será bem mais competitivo para quem produzir em larga escala.

A tecnologia diminui o uso de água e elimina a possibilidade de contaminação de trabalhadores e do lençol freático. Além disso, segundo a Universidade de Cornell, nos EUA, em comparação com o uso de defensivos, o TPC reduz em 40% a emissão de dióxido de carbono. “Para o setor vitivinícola, é algo revolucionário, porque há uma tendência mundial de produtos orgânicos e a tecnologia nos dá um diferencial competitivo”, diz Diego Bertolini, diretor de marketing do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). E, embora o trabalho em solo brasileiro tenha começado nos parreirais, a ferramenta pode ser utilizada em plantações de tomate, pêssego, kiwi, etc. Definitiva-mente, é uma revolução no campo.

Simples: no detalhe, a saída de um jato de ar quente que elimina fungos e bactérias