A cidade de Bom Jesus da Lapa (BA) colocou seu nome no mapa das indicações geográficas (IGs) do Brasil. Produtores de banana na região irrigada do município conquistaram um selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) que atesta a qualidade e a fama das bananas da região.

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Ao todo, a região abriga 1.155 lotes agrícolas. A área irrigada no município soma aproximadamente 19,5 mil hectares, dos quais aproximadamente 8,7 mil hectares são destinados à banana. A região abriga também culturas de citros (grupo de frutas como laranja e limão), manga e outras temporárias, de ciclo curto.

A conquista do selo recebeu apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Segundo Enderson José Souza, gerente do Distrito de Irrigação do Projeto Formoso, o Sebrae contribuiu “para a padronização dos processos, valorização da mão de obra e fortalecimento da governança do território”.

Produção de banana foi impulsionada por empresa pública

Localizada no interior da Bahia, Bom Jesus da Lapa tem um clima semiárido. Em 1988, com propósito de desenvolvimento agrícola da região, o governo federal solicitou um projeto de irrigação a partir das águas do Rio Corrente, afluente do Rio São Francisco, cujas margens traçam um dos limites do município. Duas estações de bombeamento captam a água e distribuem por meio de redes de canais.

A empresa pública Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) ficou responsável pelo projeto, que foi elaborado pela Novonor (antiga Odebrecht). Após sua conclusão, foi criado o Distrito de Irrigação Formoso (DIF) para administrar a estrutura.

Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam o município como o maior produtor de bananas da Bahia, com R$ 259,5 milhões em valor comercializado em 2024. No ranking dos estados, a Bahia figura atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

O que é uma indicação geográfica

Os selos de IG emitidos pelo Inpi atestam o reconhecimento de um produto ou serviço originário de um local específico (como uma cidade, região ou país). O registro autentica qualidades únicas ou uma reputação famosa.

Ter um selo do tipo funciona como um “escudo” para o patrimônio regional. Ele impede que produtores de outros locais usem indevidamente o prestígio de uma área, assegurando que o consumidor receba um item legítimo e com características superiores. Ao mesmo tempo, fortalece o marketing da produção, com reflexos para o turismo e o desenvolvimento da região como um todo.

No cenário brasileiro, essa certificação brilha em produtos como o Queijo da Canastra (MG), os vinhos do Vale dos Vinhedos (RS) e o artesanato em Capim Dourado do Jalapão (TO). Internacionalmente, o conceito é o mesmo que protege o Champagne francês e o Parmigiano Reggiano italiano.

Para organizar essas certificações, o sistema é dividido em dois níveis principais de exigência:

  • Indicação de Procedência (IP): Foca na fama e tradição. É concedida quando uma região se torna um centro de referência e reconhecimento público na fabricação de um produto ou na oferta de um serviço específico.
  • Denominação de Origem (DO): É o nível mais rigoroso. Aqui, não basta a fama; é preciso provar cientificamente que o produto é único devido ao seu “terroir”. Isso significa que suas qualidades dependem estritamente da combinação entre fatores naturais (clima, solo) e o saber-fazer humano daquela localidade.

O selo recebido pelas bananas de Bom Jesus da Lapa é de IP. Ao todo, o Brasil conta atualmente com 154 IGs reconhecidas.