A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a instituição pretende elevar seus juros em mais 50 pontos-base (pb) na reunião de março, ratificando o comunicado da decisão de política monetária anunciada nesta quinta-feira, 2. Em coletiva de imprensa, Lagarde disse esperar que a atividade econômica na zona do euro permaneça fraca no curto prazo, embora esteja provando ser mais resistente do que se imaginava.

Ela comentou também que as restrições de oferta estão diminuindo de forma constante.

Christine Lagarde disse ainda que as pressões de preços permanecem fortes, em parte por causa da alta dos custos de energia, mas ressaltou que os preços de energia deverão subir menos do que foi previsto em dezembro. Segundo ela, as políticas fiscais podem intensificar as pressões inflacionárias.

A dirigente previu também que medidas de governos da zona do euro para ajudar consumidores e empresas a bancar suas contas de energia ajudarão a inflação a desacelerar.

Mais cedo, o BCE elevou seus juros em 50 pontos-base, como esperado, e sinalizou um ajuste do mesmo tamanho para a reunião de março.

Pico

A presidente do Banco Central Europeu afirmou ainda que a instituição não chegará ao seu pico das taxas de juros em março. “Não diria que o processo desinflacionário já está em ‘jogo’. Temos que olhar para os custos de energia porque poderão se transmitir para a inflação”, destacou.

E acrescentou: “Recuperação mais forte da China pode dar impulso aos preços das commodities.”

Altas necessárias

Christine Lagarde disse também que, em todos os cenários, altas significantes de juros serão necessárias, em ritmo constante. Segundo ela, há um “consenso forte” sobre as intenções de alta de juros em março e ela não é “irrevogável”.

“Não penso em cenário que não tenha uma alta de 50 pontos-base em março, só em caso extremo. Sabemos que não terminamos e que precisaremos avaliar o ritmo de alta dos juros”, destacou a dirigente, durante coletiva de imprensa. “Nossas decisões continuarão a depender de dados”, acrescentou a repórteres.

Para a banqueira central, os riscos para o crescimento da economia ficaram mais equilibrados. “Recuperação mais forte da China pode dar impulso aos preços das commodities”, concluiu.