FARPA VERMELHA: além de evidenciar a marca, empresa acredita que evitará confusão com produtos falsificados

Você já deve ter ouvido esta frase: “arame é tudo igual”. Pois bem, a história agora já não é bem assim. A Belgo Mineira, uma das líderes do mercado brasileiro de cercas para agronegócio, está com uma carta na manga. Tratase do arame farpado com farpa vermelha, novidade que será lançada oficialmente na Agrishow Ribeirão Preto. A cor é a grande aposta da Belgo, uma das empresas do Grupo Arcelor, para se diferenciar dos concorrentes. O vermelho será uma forma de identificação. “Nós garantimos que o nosso arame tem uma durabilidade de 15 a 30 anos”, diz o veterinário Rodrigo Carrara, gerente de marketing da companhia. “Vamos ter uma cor para cada produto”, acrescenta. Por ora, o único produto disponível no mercado é a tela campestre, que vem na cor verde. O motivo é simples: como o arame é vendido por rolo, é comum o agricultor chegar na loja e comprar uma certa quantia de metros. Se ele não compra o rolo inteiro, pode não saber que marca está comprando. Eis aí o problema. Além de marcas como Gerdau, há opções mais baratas, mas com qualidade inferior. “O que garante a qualidade do arame é o zinco em volta do aço e esses produtos nem sempre têm essa característica”, explica Carrara.

CONSULTORIA AFIRMA QUE 70% DOS GASTOS COM INFRA-ESTRUTURA DA FAZENDA ACONTECEM NA FORMAÇÃO DE CERCAS, QUE INTERFEREM NA PRODUTIVIDADE

De acordo com o gerente, “quanto maior o nível de tecnificação de uma fazenda, maior o número de cercas”. Em outras palavras, quem faz a divisão dos piquetes de gado com cerca aumenta a produtividade, a rentabilidade e diminui o tempo de permanência dos animais na fazenda. Mas é necessário que o produtor saiba qual cerca usar. O arame farpado tem o dobro de vida do liso, mas não é recomendado para quem cria gado, pois as farpas podem machucar o couro do boi. Neste caso, o ideal seria usar o liso na cerca de divisa e a elétrica para a divisão de piquetes. Quanto ao custo, ele varia de região para região. “Na região Norte, o quilômetro da cerca do liso com cinco fios, um palanque a cada cinco metros e mão-de-obra e madeira está saindo por R$ 4,4 mil”, diz o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, consultor da Scot Consultoria. Na tabela da Belgo, a implantação de um quilômetro de cerca de arame liso ou farpado com as mesmas especificações fica, em média, em R$ 3 mil. Na cerca elétrica, que utiliza menos arame, o gasto seria de R$ 1 mil, mais despesas de manutenção. Nas proximidades da cerca, o capim não pode ficar alto. Caso isso aconteça, ele pode “roubar” energia. Por isso são necessárias duas capinas, cujo gasto geralmente não é computado. Segundo Nogueira, 70% dos gastos com a infra-estrutura de uma fazenda são provenientes da implantação de cercas. E agora, com o diferencial da cor, vai ser difícil o produtor levar gato por lebre.