12/03/2026 - 10:33
O Brasil, maior produtor e exportador global de café, deverá ter uma safra recorde de 75,3 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, um crescimento de 20,8% em relação à temporada passada, com impulso da produtividade das lavouras de arábica, estimou nesta quinta-feira a consultoria e corretora StoneX.
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O número apontou uma revisão para cima de 6,5% em relação à projeção preliminar divulgada em novembro, logo após as floradas, com melhora na expectativa de produção das variedades arábica e canéforas (robusta e conilon).
A grande colheita do país, que deve começar no próximo mês pelos grãos canéforas, deverá colaborar para reconstruir os estoques globais, após safras abaixo do potencial nos últimos anos.
A produção de arábica, que responde pela maior parte da produção nacional, terá um aumento anual de 37,5%, superando pela primeira vez o patamar de 50 milhões de sacas (50,2 milhões), ante 47,2 milhões de sacas na previsão de novembro.
No caso dos canéforas, a StoneX projeta uma queda de 2,8% na produção, após um recorde no ciclo passado. Ainda assim, a colheita deverá superar 25 milhões de sacas, ante 23,5 milhões na previsão de novembro.
Em 2021/22, o Brasil produziu 20 milhões de sacas do canéfora e 33,7 milhões de sacas do arábica.
Na soma das duas variedades, o aumento em cinco anos supera 20 milhões de sacas, volume este maior do que toda a safra anual da Colômbia, o terceiro produtor global de café.
Mudanças climáticas e o café
“A safra 2025/26 foi fortemente impactada por condições climáticas adversas. Já a safra 2026/27 apresenta recuperação em relação ao ciclo anterior. No entanto, esse potencial poderia ser ainda maior, pois o clima não foi totalmente favorável durante o período de florada”, afirmou Leonardo Rossetti, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX.
Ele lembrou em relatório que o atraso e a má distribuição das chuvas provocaram abortamento de flores e reduziram o número de frutos por roseta, efeito observado em todas as regiões produtoras de arábica. Mas, depois, as precipitações favoráveis ajudaram no aumento da produção.
“Na segunda visita a campo da StoneX, parte dessas lavouras apresentou melhor pegamento do que o inicialmente estimado. Assim, houve revisão positiva dos números em todas as regiões monitoradas”, disse.
O analista disse que resultado da produção brasileira é decorrente também do aumento de áreas cultivadas nos últimos anos, que agora entram em produção, somado ao avanço tecnológico e melhoramento genético, depois de um período de preços elevados.
Além do aumento de área, houve também um avanço “significativo” em tecnologia e no uso de materiais genéticos mais produtivos. “No conjunto — genética, tecnologia e expansão do parque cafeeiro — observamos um salto relevante na produção no Brasil nos últimos cinco anos”, disse Rossetti, ao comentar o cenário para os canéforas.
