01/10/2007 - 0:00
SAMAN É O ALVO: empresa responde por 50% da comercialização de arroz no Uruguai
Mais uma empresa brasileira do agronegócio está prestes a se tornar uma companhia de destaque mundial. Depois do Friboi, que se tornou o maior frigorífico do mundo ao comprar a Swift, terceira maior processadora de carnes dos Estados Unidos, agora é a vez da Camil. Com 43 anos de estrada e sede em Itaqui, no Rio Grande do Sul, a companhia está prestes a adquirir a Saman, maior beneficiadora de arroz do Uruguai. Se o negócio for confirmado, a Camil será a terceira maior beneficiadora de arroz do mundo e primeira no ranking da categoria na América Latina. O acordo para a compra da Saman, que responde pela comercialização de mais de 50% do grão no Uruguai, foi assinado em agosto. A operação está em fase de auditoria, a chamada due dilligence. “Não podemos adiantar nada, mas a negociação deve estar concluída até fim de outubro”, disse à DINHEIRO RURAL Jacques Quartiero, diretor da Camil.
A Camil atua no beneficiamento, distribuição e comercialização de arroz e feijão, sendo o primeiro grão o carro-chefe. Anualmente, são processadas 700 mil toneladas do cereal, volume que pode saltar para 1,25 milhão de toneladas com a compra da Saman. A receita bruta prevista para este ano é de R$ 750 milhões, mas pode superar R$ 1 bilhão, se a operação for concluída. Para Tiago Sarmento Barata, analista de arroz da Safras & Mercados, a decisão da Camil é oportuna. “É uma forma de driblar as dificuldades impostas pelo Brasil à cultura do arroz”, diz. A principal barreira é a alta carga tributária que faz o arroz uruguaio ser mais competitivo que o nacional. No entanto, a possível entrada da Camil em solo uruguaio está preocupando os produtores do país vizinho. Eles temem que a empresa brasileira modifique o sistema de comercialização, que existe há quadro décadas e que fixa o preço do produto para a próxima colheita, a partir de estimativas de rendimento da safra seguinte.
U$$ 100 MILHÕES é quanto seria o valor das aquisições da Camil no Uruguai
Fundada em 1942, a Saman tem oito plantas industriais, é dona de uma empresa de comercialização, a Samu, e da Arrozur, a única indústria que parboliza o cereal no Uruguai. Além disso, possui participação majoritária na Corrales e Comisaco, companhias que administram represas, e tem sociedade com a Tacua, uma operadora portuária. O portfólio garante à Saman a décima posição no ranking das maiores empresas em vendas no país, o que atemoriza analistas uruguaios que temem a desnacionalização da indústria local. O medo é reflexo da expansão dos frigoríficos brasileiros, Marfrig e Bertin, no país. Polêmicas à parte, tudo indica que a Camil será a próxima empresa brasileira a aterrissar no Uruguai. O valor da negociação é mantido em sigilo, mas as especulações indicam que o investimento ultrapassará a casa dos US$ 100 milhões.