03/04/2025 - 15:00
O Brasil é um dos maiores produtores de carne bovina e o maior exportador de proteína animal do mundo.
+ Veja lista dos principais produtos do comércio entre o Brasil e EUA e taxas cobradas
Em 2024, o país registrou recorde de 2,89 milhões de toneladas embarcadas para mais de 150 países, o que representou 12, 8 bilhões de dólares, segundo informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Ainda segundo a entidade, o setor foi essencial para o superávit da balança comercial brasileira, que atingiu US$ 74,6 bilhões no ano passado.

China e Estados Unidos são os principais destinos das carnes que saem dos portos brasileiros. Os chineses, maior parceiro comercial do Brasil, compraram 1,33 milhão toneladas de carne brasileira, e os americanos, 229 mil toneladas.
Tarifas de Trump afetarão nas exportações da carne brasileira?
O presidente americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira, 2, uma série de tarifas adicionais para produtos importados de diferentes países. O que vale para o Brasil e todos os produtos enviados para os EUA, entre eles a carne.
O republicano anunciou uma tarifa de 10% para os produtos brasileiros que deve afetar o mercado de exportação de carnes do Brasil.

Procurada por IstoÉ Dinheiro Rural para comentar sobre o tarifaço de Trump, a Abiec comentou que estão avaliando as novas tarifas e o impacto delas para o setor. Mas a entidade adiantou que acredita o impacto nãos erá imediato, por conta da crise que os EUA enfrentam no ciclo pecuário.
“Por pelo menos dois anos, precisarão de quem possa garantir volume, qualidade e preço, e esse parceiro é o Brasil”, explicou.
A Associação ressaltou que a carne brasileira já é taxada em 26,4%, com uma cota inicial isenta de 65 mil toneladas, compartilhada entre 10 países. “Essa cota, que é anual, costuma se esgotar logo no primeiro mês do ano. Mais de 70% do que exportamos no ano passado entrou com a tarifa”, explica.
O especialista em comércio exterior e diretor da Tek Trade, Rogério Marin, acredita que o impacto das tarifas nas exportações brasileiras, especialmente na carne, não deve ser tão significativo, já que, apesar de os EUA serem o maior produtor de carne bovina do mundo, ainda precisam importar para atender a alta demanda interna.
“O potencial das novas tarifas afetarem as exportações brasileiras de carnes bovinas para os EUA é bastante limitado, e que deve permanecer, ao longo dos próximos anos, a tendência de crescimento dos volumes de carnes bovinas do Brasil para os EUA, com base na competitividade dos produtores brasileiros”
Principais destinos da carne brasileira
Ao longo de 2024, as exportações do setor ao exterior chegaram a 157 países. Se considerarmos apenas as exportações de carne in natura (que representam mais de 90% do valor total), foram 132 mercados, 46 a mais na última década.
1. China: A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2024, importando cerca de 1,33 milhão de toneladas. Esse volume gerou uma receita aproximada de US$ 6 bilhões, consolidando o país como o maior importador e refletindo sua alta demanda por carne brasileira.
2. Estados Unidos: Em segundo lugar, os Estados Unidos importaram aproximadamente 229 mil toneladas de carne bovina do Brasil em 2024, resultando em um faturamento de US$ 1,35 bilhão. O aumento nas importações deve-se, em parte, à redução da oferta interna de gado no país.
3. Emirados Árabes Unidos: Na terceira posição, os Emirados Árabes Unidos compraram cerca de 132 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 604 milhões. Esse mercado tem se destacado como um importante hub para o Oriente Médio.
4. Hong Kong: Em quarto lugar, Hong Kong importou cerca de 116 mil toneladas de carne bovina do Brasil, gerando US$ 388 milhões. Apesar de menor em comparação com a China, continua sendo um destino significativo na Ásia.
5. Chile: O Chile ocupa o quinto lugar, com importações de aproximadamente 110 mil toneladas em 2024, o que resultou em uma receita de US$ 533 milhões. O país é um dos principais parceiros comerciais na América do Sul.
Veja o top 10:

Cenário incerto faz Brasil diversificar
Diversificar para reduzir a dependência desses países pode ser uma maneira de manter o Brasil no topo das exportações globais e até ampliar esses indicadores.
Apesar dos já consolidados destinos diversificados da carne brasileira, o Brasil segue buscando novos mercados compradores. Um exemplo são os países do Sudeste Asiático como Japão, Vietnã e Coreia do Sul. Os três, ao lado da Turquia, representam 30% da demanda mundial de carne bovina.
Na semana passada, o presidente Lula visitou o Japão e o Vietnã acompanhado de comitiva com o objetivo de abrir o mercado japonês e vietnamita à proteína brasileira.
“Os acordos de exportação com Japão e Vietnã representam uma oportunidade estratégica para o Brasil. O Japão, um mercado exigente e de alto valor, permite a venda de carne premium a preços mais elevados, aumentando a rentabilidade. Já o Vietnã, com sua classe média em crescimento, oferece um mercado emergente com demanda crescente”, disse Rogério Marin, da Tek Trade.