Os porcos selvagens, conhecidos popularmente como javaporcos, vêm afetando lavouras de cana-de-açúcar e milho em diversas regiões do país há pelo menos quatro anos. A urgência da situação levou à liberação da caça em diversos estados, medida que, contudo, não foi suficiente para frear o crescimento das invasões.

Os danos que esses animais podem causar variam. Há depoimentos de produtores que perderam até 50% de uma lavoura por conta de invasões, pisoteamentos ou episódios em que os animais se deitam no meio da lavoura, o que pode inutilizar grandes áreas produtivas.

Sem predadores naturais — já que não pertencem à fauna brasileira —, o combate ao javaporco exige estratégias que vão desde a caça autorizada até métodos físicos, como a abertura de fossas. Estas práticas, entretanto, são criticadas por não ser sustentável a longo prazo, podendo provocar erosão e degradar a qualidade do solo.

Uma solução que ganha espaço no setor é o cercamento especializado, técnica comum na pecuária, mas adaptada para a agricultura. A Belgo Arames desenvolveu uma cerca projetada especificamente contra grandes suínos, além de capivaras. Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócios da empresa, a estrutura oferece uma saída sustentável ao evitar o abate e a degradação do terreno.

“É uma proteção sustentável, porque o produtor não tem que combater os animais com tiro”, afirma Nolasco. O executivo ressalta que a tecnologia evita medidas desesperadas, como o uso de tratores para cavar valas. A estrutura conta com 11 fios horizontais capazes de suportar até 600 kg de força cada, com malhas inferiores mais fechadas para impedir a passagem de filhotes.

Em relação às regiões de compra, os clientes que mais estão adquirindo a cerca concentram-se nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás.

Origem do problema no Brasil

O javaporco é um animal híbrido, fruto do cruzamento entre o javali (Sus scrofa), originário da Europa, e o porco doméstico. A introdução da espécie ocorreu para fins de exploração comercial em cativeiro. Com o insucesso econômico da atividade, muitos animais foram soltos deliberadamente ou escaparam, estabelecendo-se na natureza.

Características e comportamento

  • Porte e Peso: Podem ultrapassar os 130 kg, superando os javalis puros, que pesam em média 80 kg.

  • Morfologia: Possuem pelagem de colorações variadas, cauda visível e caninos inferiores desenvolvidos.

  • Capacidade Reprodutiva: A genética do porco doméstico elevou a fecundidade; uma fêmea de javaporco pode dar à luz entre 15 e 20 filhotes por ninhada, contra os 5 ou 6 do javali selvagem.

  • Organização Social: Formam grupos matriarcais liderados por fêmeas. Em situações de abundância de recursos, esses bandos podem se agrupar em manadas de até 200 indivíduos.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) reforça que, pelo fato de consumirem qualquer tipo de alimento e possuírem alta taxa de dispersão, os javaporcos são nocivos ao meio ambiente, à pecuária e à agricultura. Atualmente, o abate para controle populacional é a medida legal prevista para mitigar os danos à economia rural e à saúde pública.

O repórter viajou a Agrishow à convite da Belgo Arames