O estado de Minas Gerais recebeu nesta quarta-feira, 25, sua sétima indicação geográfica (IG) ligada ao setor cafeeiro. A marca Chapada de Minas, ligada a produtores do Vale do Jequitinhonha, ganhou o selo de indicação de procedência (IP), atestando a fama do café da região.

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Presente desde pelo menos os anos 1970, trazida por imigrantes do Paraná e do Sul de Minas, a produção de café da região aumentou exponencialmente sua profissionalização e seu reconhecimento na última década. Produtores locais organizaram-se e criaram o Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) em 2018. No ano seguinte, lançaram uma marca coletiva, que agora foi elevada ao status de IG.

Em entrevista à IstoÉ Dinheiro no final do ano passado, a presidente do ICCM, Carmem Lídia Junqueira, explicou que a organização coletiva respondeu a desafios históricos enfrentados pela região.

“É uma região distante, com logística ruim”, comentou Junqueira. “Hoje a gente já tem muitos prêmios, e as pessoas começam a ter mais interesse em conhecer as preciosidades da nossa chapada.”

O ICCM já conta com mais de 120 associados. O potencial do Vale do Jequitinhonha, no entanto, é consideravelmente superior, com 5,8 mil produtores em uma área de 30 mil hectares cultivados nos 22 municípios que compõem a nova IG. Ao todo, cerca de 20 mil empregos diretos ou indiretos estão relacionados ao setor na região.

Trabalhadoras na Fazenda Matilde. Capelinha (MG). 22 de Agosto de 2019.
Trabalhadoras na Fazenda Matilde. Capelinha (MG). 22 de Agosto de 2019. Crédito: Leo Drumond / NITRO

No caminho rumo à conquista da IG, o Instituto contou com apoio do Sebrae Minas (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas Gerais), que contribuiu para o desenvolvimento técnico e gerencial dos produtores, por meio de treinamentos, capacitações e apoio para visitas técnicas a feiras e eventos do setor. Segundo Junqueira, a atuação conjunta foi “decisiva” para alcançar esse marco histórico.

A expectativa dos profissionais que atuam na região é de que a IG contribua para fortalecer ainda mais o processo de desenvolvimento da região e leve mais produtores a ampliar sua profissionalização e melhorar a produção.

Como é o café da Chapada de Minas

Os produtores da região do Vale do Jequitinhonha contam com uma produção relativamente heterogênea. A variante mais tradicional é o catuaí 144 (ou catuaí vermelho). Mais recentemente, foram introduzidas a variante arara e o catucaí Amarelo 24/137. Em relação ao processamento, há naturais, fermentados e blends.

Em nota, o Sebrae descreve o sabor do café da região como “de corpo intenso e aveludado, que oferece uma experiência sensorial envolvente, sustentada por acidez málica de média a alta, que confere vivacidade ao conjunto”.

Fazenda Sequoia. Angelandia (MG). 22 de Agosto de 2019.
Fazenda Sequoia. Angelandia (MG). 22 de Agosto de 2019. Crédito: Walfried Weissmann / NITRO

Com o trabalho conjunto do ICCM e do Sebrae, o café da região tem alcançado crescente reconhecimento. Em 2019, uma saca venceu o concurso Cup of Excellence e foi comercializada por US$ 19 mil em um leilão internacional. Já no comércio organizado na própria região, o último concurso local, realizado em novembro, também bateu recordes, com sacas vendidas por até R$ 8,7 mil.

Agora, cafés de 22 municípios poderão buscar valorização ainda maior com o selo de IG: Água Boa, Angelândia, Aricanduva, Capelinha, Caraí, Carbonita, Catuji, Diamantina, Felício dos Santos, Franciscópolis, Itaipé, Itamarandiba, José Gonçalves, Ladainha, Leme do Prado, Malacacheta, Minas Novas, Novo Cruzeiro, Senador Modestino Gonçalves, Setubinha, Turmalina e Veredinha.

O que é uma Indicação Geográfica

Emitida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a certificação de IG atesta o reconhecimento da produção de um território geográfico. Selos de IP, como o atribuído ao café Chapada de Minas, atestam a fama da produção. Há ainda a classificação de Denominação de Origem (DO), que requerem a comprovação de atributos únicos, ligados ao modo de produção local.

Há outras três IPs de cafés mineiros reconhecidas: Matas de Minas, Sudoeste de Minas e Campos das Vertentes. O estado conta também com DOs para os cafés Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas e Canastra.

Minas Gerais é um dos líderes de IGs no país, com reconhecimento também para queijos, aguardentes e, mais recentemente, vinhos.

No país, já há 156 IGs reconhecidas, sendo 124 IPs e 32 DOs.