Brasília, 5/12 – O superintendente Técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, afirmou nesta terça-feira, 5, que o clima teve um papel preponderante em 2017 na safra recorde registrada pelo setor.

Ele chamou a atenção para o fato de, entre os principais produtos agrícolas do País, apenas o café arábica, a cana-de-açúcar e o trigo terem registrado queda de produção no ano. “Os demais produtos tiveram ganho”, citou.

No caso do trigo, ele destacou problemas de competitividade do Brasil em virtude das relações no âmbito do Mercosul, principalmente com Argentina.

Do lado dos produtos cuja safra cresceu, destaque para a safra de algodão e para o café conilon, que “cresceu a produção este ano em virtude da quebra ano passado”. Houve aumento de 18,6% da produção de algodão em 2017, conforme os dados apresentados por Lucchi.

A rentabilidade da safra em 2017, porém, considerando todos os produtos, foi menor, lembrou Lucchi. “A queda dos preços, principalmente no milho (acima de 30%), comprometeu a rentabilidade do produtor rural”, afirmou.

Para 2018, segundo ele, o fenômeno do La Niña vai comprometer o clima e, com isso, trazer dificuldades para algumas regiões. Como a safra foi recorde em 2017, sob influência do clima favorável, a expectativa para 2018 é de queda de 6% na produção de grãos no próximo ano.

Lucchi salientou, ainda, que “crises artificiais” marcaram setor de carnes em 2017. Foi o caso da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que este acabou por prejudicar a relação do Brasil com compradores de outros países. “Em 2018, esperamos que haja retorno do consumo de carne pelas famílias”, afirmou. Segundo ele, a perspectiva de forma geral é mais favorável.

O representante da CNA lembrou ainda que a agropecuária foi responsável por reduzir a inflação neste ano. “A queda dos preços dos alimentos contribuiu. O setor foi essencial na recuperação do Brasil”, acrescentou. “A expectativa é de crescimento de 0,5% a 1,0% do PIB do agronegócio em 2018”, citou.

Ao abordar os riscos para o cenário, ele citou a eleição, que afeta o câmbio e, consequentemente, a rentabilidade das commodities. “O câmbio oscilante em cenário adverso preocupa o setor agropecuário. As reformas também preocupam”, disse Lucchi, defendendo que o aumento da tributação do setor agropecuário será “um desastre”.