03/02/2026 - 14:00
A safra de soja do Brasil em 2025/26 está estimada em recorde acima de 181 milhões de toneladas, o que resultaria em aumento de estoques mesmo com um crescimento das exportações, apontam as consultorias Céleres e StoneX. A Céleres elevou sua projeção em 2,3% na comparação com a primeira estimativa, em momento em que a colheita já começou na maior parte do país. Já a StoneX também aumentou em 2,3% sua estimativa em relação à previsão do mês anterior, para 181,6 milhões de toneladas.
“Com as lavouras de soja se apresentando favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, a projeção de fevereiro/26 aponta para uma produção de 181,3 milhões de toneladas”, disse a Céleres, segundo relatório divulgado pelo analista Gabriel Santos.
A consultoria acrescentou que as condições iniciais de colheita na Bahia se apresentaram ligeiramente abaixo do esperado, pressionando assim a produção esperada na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Mas ainda assim o Matopiba deve registrar um crescimento de produção de soja.
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No comparativo com a temporada anterior, a safra 25/26 registraria um crescimento de cerca de 5%, ou 8,5 milhões de toneladas, ampliando os estoques do maior produtor e exportador global de soja, disse a Céleres. As exportações brasileiras na temporada foram estimadas em 112 milhões de toneladas, versus 108,2 milhões no ciclo anterior.
Já o estoque final foi projetado em 7,8 milhões de toneladas, ante 4,1 milhões no ciclo passado. “Em função disso, a Céleres entende que a tendência de preços é baixista ao longo de 2026 — inclusive na entressafra”, afirmou, destacando que “o baixo ritmo de comercialização gera preocupações quanto à margem do produtor rural”.
A StoneX afirmou que o aumento na sua previsão mensal de 4 milhões em relação à expectativa anterior decorre de ajustes tanto na área cultivada com soja, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare.
“Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, disse a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi. Até janeiro, a consultoria previa uma produtividade média nacional de 3,66 toneladas por hectare e uma área de cerca de 48,47 milhões de hectares.
Para o milho primeira safra, a StoneX também elevou em 2,3% sua previsão mensal, para 26,6 milhões de toneladas, ou pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do registrado no ciclo 2024/25. No caso do milho segunda safra, a revisão na produção em relação ao número de janeiro foi de 0,5%, para 106,3 milhões de toneladas. “Houve aumento de área no Tocantins e Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução”, disse a consultoria.
