29/05/2019 - 15:08
Luís Eduardo Magalhães, 29 – A cotação do dólar ante o real acima de R$ 4 ajuda na venda da soja e do algodão da safra 2018/19, mas tem deixado produtores cautelosos na compra de insumos da safra 2019/20, relatou o presidente da Cooperfarms, Marcelo Leomar Kappes. A cooperativa representa mais de 300 produtores, que cultivam 600 mil hectares principalmente no oeste da Bahia. “Quanto ao câmbio, o ruim para nós, produtores, é uma oscilação tão intensa como vem acontecendo. O ideal seria um dólar mais estável. Mesmo que agora a nossa venda possa ser beneficiada com o câmbio alto, os custos também são muito baseados em dólar, então pagamos mais caro pelos insumos”, disse Kappes. “E agora é a hora de vendermos a produção e comprarmos insumos ou pagar aqueles já comprados anteriormente.”
Os custos mais altos preocupam produtores, continua. “Os fertilizantes estão em um patamar extremamente alto; estamos sendo muito prejudicados por esse câmbio alto. De outro lado, o dólar valorizado ajuda a manter a soja num nível que ainda viabiliza a venda. Mas é complicado porque os preços da soja não estão atrativos, mesmo com o câmbio alto.” Ele ressaltou que os valores recebidos pelo produtor não dependem só do dólar, mas também dos preços internacionais da oleaginosa em Chicago, que continuam sob pressão da guerra comercial entre Estados Unidos e China, embora recentemente tenham se valorizado em função de problemas climáticos que atrasam o plantio da oleaginosa e também do milho em terras norte-americanas.
A temporada de compra de insumos na cooperativa já está em curso. “Na parte de fertilizantes já entramos com uma campanha forte, agora estamos focados na parte de sementes. Na sequência, entraremos com os químicos.” Mesmo assim, a movimentação de produtores para a próxima safra tanto para aquisição de insumos quanto de maquinário ainda é lenta. “Produtor anda tenso, não sabe o que vai acontecer. Olhando para o futuro, não tem perspectiva de alta dos preços tanto de soja quanto de algodão, que caíram consideravelmente”, disse. “Produtor não deixa de fazer investimento porque precisa, está no radar dele a renovação de frota, mas é um momento de cautela.”
*A jornalista viaja a convite da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa)