Após trocas de sinal pela manhã, o dólar à vista se firmou em terreno positivo ao longo da tarde e encerrou a sessão desta segunda-feira, 29, em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,0124. Sem a referência de Treasuries e dos índices acionários em Nova York, em razão feriado de Memorial Day nos Estados Unidos, o mercado de câmbio local trabalhou em marcha lenta. As movimentações foram contidas, com oscilação de apenas cerca de quatro centavos entre mínima (R$ 4,9743) e máxima (R$ 5,0155). O contrato futuro para junho, principal termômetro do apetite por negócios, apresentou volume financeiro inferior a US$ 8 bilhões.

“Com o feriado nos EUA, a liquidez foi mínima. O exterior acabou ditando o ritmo, com o dólar aqui acompanhando o comportamento de alta em relação a alguns pares emergentes do real”, afirma o analista de câmbio Elson Gusmão, da corretora Ourominas, acrescentando que amanhã à tarde o mercado já deve começar a se movimentar para a rolagem de posições no segmento futuro e a disputa pela formação da última Ptax de maio.

Lá fora, o índice DXY – termômetro do desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – operou em leve alta ao longo da tarde, na casa dos 102,200 pontos, em razão da fraqueza do euro. Haverá antecipação de eleição geral na Espanha, após derrota do Partido Socialista do primeiro-ministro Pedro Sánchez em pleito regional neste domingo.

O dólar ganhou força na comparação com a maioria das divisas emergentes e de exportadores de commodities, incluindo moedas latino-americanas de países de juros altos, à exceção do peso mexicano. A lira turca renovou mínimas históricas, após o presidente Recep Tayyip Erdogan conseguir se reeleger.

No front externo, o destaque foi o acordo firmado entre o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Kevin McCarthy, e o presidente Joe Biden para ampliação do teto da dívida americana. A perspectiva é que o projeto de lei seja votado nesta quarta-feira, 31. Afastado o risco de calote e paralisação de serviços públicos, o foco dos investidores se volta para a trajetória de taxa de juros nos EUA. Dados mais recentes de atividade e inflação aumentam as chances de nova elevação da taxa em 0,25 ponto porcentual pelo Federal Reserve em junho e desautorizam apostas mais contundentes em cortes os juros ainda neste ano.

Segundo o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, a perspectiva de alta da taxa básica americana em junho, após acordo em torno do teto da dívida, tende a apoiar o dólar no exterior. “O acordo da dívida nos EUA aliviou e eliminou a antecipação da recessão e o eventual rebaixamento do rating, mas também reforça dólar e alta dos juros pelo Fed”, afirma Velho.

Por aqui, Velho afirma que a expectativa de mais ingresso de recursos externos nos próximos dias, em especial para a Bolsa, e exportações líquidas fortes devem sustentar a taxa de câmbio ao redor de R$ 5,00 no curtíssimo prazo.

Investidores vão monitorar nas próximas semanas a tramitação da nova proposta de arcabouço fiscal no Senado, após a aprovação por votação por folga na Câmara. O avanço do novo marco fiscal e a desaceleração surpreendente do IPCA-15 de maio, somadas a declarações em tom mais ameno do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estimularam na semana passada as apostas em corte da taxa Selic em agosto.