01/04/2008 - 0:00
EIKE BATISTA: uma fortuna de US$ 16 bilhões feita a partir de recursos naturais
O carioca Eike Batista tornou-se um dos homens mais ricos do mundo, com uma fortuna pessoal de US$ 16 bilhões, apostando basicamente em recursos naturais. Depois de anos explorando ouro, ele criou uma grande empresa de minério de ferro, entrou no setor de petróleo e também passou a produzir energia, com usinas térmicas movidas a gás. Agora, Eike está prestes a dar uma nova tacada empresarial, focando-se, mais uma vez, num recurso natural extremamente farto no País: a radiação solar. Seu projeto é produzir grandes painéis geradores de energia, associado à empresa chinesa Yingli Solar, que é líder mundial nessa tecnologia. “Vamos começar produzindo painéis com capacidade para gerar 300 megawatts de energia, até chegar a 1 mil megawatts em 2015”, antecipou Eike à DINHEIRO RURAL. Esses equipamentos serão fabricados no complexo industrial do Açu, no município de São João da Barra, no Rio de Janeiro. Lá, além de um grande porto, Eike está construindo também um distrito industrial, onde espera instalar a sua joint venture com os chineses.
O modelo de venda das placas solares ainda não está definido. Uma das alternativas é simples. O próprio Eike compraria os equipamentos para montar uma megageradora de energia solar. Neste caso, seria necessário adquirir grandes extensões de terra, possivelmente no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, para instalar os painéis. Outra hipótese, que hoje é a mais provável, é a venda dessas placas de forma pulverizada no mercado. “A princípio, não pretendo concorrer com as geradoras de energia”, diz ele. “Quero ser como a Apple e me focar no hardware.” Eike aposta que terá milhares de clientes no meio rural. “Os fazendeiros poderão comprar os painéis, gerar energia para consumo próprio e vender o restante para o sistema elétrico.” Um dos entraves para que isso ocorra é o custo da energia solar, que hoje é próximo a US$ 250 o megawatt. Mas Eike aposta que o problema é passageiro. “Enquanto o custo da energia solar vem despencando, com os ganhos de escala, todas as outras fontes estão ficando mais caras”, diz ele.
A energia solar, no entanto, não é o único projeto de Eike no mundo rural. Produzir grãos ou criar gado ainda não estão nos seus planos porque, segundo admite, o Brasil tem gente com muito mais knowhow nessas áreas. Mas há uma outra área que tem ligação direta com seus negócios. “Quero estar entre os maiores do mundo no manejo sustentável de florestas e na produção de carvão vegetal”, diz o bilionário. Entre os diversos empreendimentos de Eike, há também siderúrgicas e usinas de ferro-gusa no Mato Grosso, que seriam clientes cativos dessa matéria-prima. Dessa forma, ele se livraria de um problema ambiental – no início do ano, uma de suas usinas de gusa foi multada em R$ 3 milhões pelo Ibama por utilizar carvão proveniente de desmatamento. Eike parece disposto a mudar essa realidade. “Quero investir em algo que faça a diferença”, diz ele. “Algo como 1 milhão de hectares de florestas.” Nada que sua fortuna não possa comprar. Além disso, ele quer levar esse projeto florestal ao mercado de capitais, como fez com diversas outras empresas. E o mote da venda já está praticamente definido. Algo como “plante uma árvore e salve o planeta”.