Nobreza tropical

 

Em família: primos, Baggio e Uliana trabalham há 40 anos com pisos

Eles sofrem o assédio diário dos pés apressados que vão e vêm, com o salto pontiagudo das mulheres ou com o solado rígido das botas de seus donos. Além disso, são obrigados a encarar os impactos do tempo, das brincadeiras das crianças, o arrastar dos móveis. É por essas e outras que escolher o piso para a casa ou fazenda não é tarefa das mais fáceis. E isso os primos José Antônio Baggio e Luís Francisco Uliana estão cansados de saber, já que há 40 anos criaram a Indus Parquet, especializada na fabricação de pisos de madeira maciça de alto padrão. O que começou com uma pequena empresa sem funcionários em Tietê (SP) acabou se transformando em uma das principais marcas do mundo quando se trata de atender às exigências de consumidores requintados. Não é à toa que 105 apartamentos do Vaticano, lojas da Louis Vuitton, Ferrari, Dolce&Gabbana, museus importantes, hotéis em todo o mundo e até a mansão da atriz norte-america Jennifer Aniston contam com pisos assinados pela marca brasileira. “É o reconhecimento maior da qualidade dos nossos produtos”, comemora Baggio. O preço para ter em casa um dos 18 modelos de pisos ou pastilhas para decoração fabricados pela empresa pode variar de R$ 50 a R$ 150 o metro quadrado.

A explicação para tanto sucesso pode ser encontrada no processo produtivo. Do pátio, onde ficam armazenadas até a finalização e a embalagem, as ripas de madeira passam por secagem natural para eliminar a umidade, seguida pela secagem na estufa, pré-acabamento e acabamento, um processo que dura em média seis meses. Além disso, a secagem do verniz é feita com raios ultravioleta, proporcionando maior resistência do revestimento e proteção à madeira. “Tudo isso é essencial para garantir a resistência e a durabilidade dos nossos produtos, além de eliminar qualquer tipo de fungo”, explica Baggio. Esse cuidado todo começa desde a seleção da madeira que será comprada. “Só adquirimos produtos certificados pelo Ibama”, explica Uliana. Além disso, ele conta que a madeira de origem tropical é mais resistente e de melhor qualidade do que a europeia, que em geral costuma ser mais “mole” e com o passar do tempo fica marcada. Isso faz com que os pisos brasileiros estejam entre os preferidos em todo o mundo.

Qualidade garantida: a madeira passa por seis meses de tratamento e tem verniz secado com ultravioleta

 

Nobreza tropical

Hoje, a Indus Parquet compra 15 variedades de madeiras vindas de diversos Estados do País, incluindo o Amazonas, Acre, Roraima e os da região Sul. Nos pátios da empresa há um estoque de 45 mil metros cúbicos de madeira cortada em ripas de vários tamanhos e espessuras. Só no ano passado a empresa produziu 1,2 milhão de metros cúbicos de piso. “Trabalhamos de acordo com a demanda dos pedidos”, completa Baggio. Pedidos não faltam. Tanto é que, para este ano, a estimativa é de um bom crescimento, principalmente com a linha Multistrato, que é composta por modelos de pisos nobres em que a base é feita de sobras de madeira, que garantem maior estabilidade e durabilidade do produto, economia de até 80% de madeira nobre, além de um preço mais acessível ao consumidor. “É uma linha que está chamando muito a atenção do brasileiro, pelo custobenefício”, explica Uliana. Hoje, o mercado interno responde por 50% do consumo da empresa. Um índice que cresceu depois da crise financeira de 2008, quando as vendas externas, que representavam 80%, caíram e o aquecimento da construção civil brasileira fez as vendas internas dispararem. “Mesmo assim continuamos vendendo para 23 países”, contabiliza Baggio.

De R$ 50 a R$ 150

É a variação no preço dos modelos de pisos fabricados

pela empresa do interior de São Paulo

Preferidos no mundo: os produtos da Indus Parquet estão em toda parte. Do restaurante na Itália ao luxuoso hotel em Marrakesh

Quando o assunto é a durabilidade, Baggio explica que os pisos saem de fábrica com cinco anos de garantia, mas que em geral duram a vida toda e brinca: “No Egito vi nas tumbas dos faraós madeiras de 4.500 anos. É a garantia máxima que posso dar para elas.” Se o piso da sua fazenda vai durar tanto tempo assim não se sabe, mas o fato é que a resistência da madeira é grande quando comparada a outros tipos de produtos, como o concreto, por exemplo. Tanto que até o chão da fábrica é revestido com o piso Indus Parquet. Segundo Baggio, com o peso das máquinas e o vai e vem das empilhadeiras, que pesam em média quatro toneladas, o concreto cedia e eram necessários constantes reparos. “Com a madeira isso não acontece. Ela continua firme e quase sem riscos, mesmo com a movimentação intensa”, explica orgulhoso o empresário.