As lavouras brasileiras conseguiram atravessar os veranicos registrados  durante o plantio de verão sem que o potencial médio de produtividade  fosse reduzido. Com a semeadura em fase final e ampliada, o país está em condições de colher até mais soja do que previa dois meses atrás. O  potencial da oleaginosa passou de 94,55 milhões para 96 milhões de  toneladas, aponta o Indicador Brasil da Expedição Safra após três meses de  viagens pelo país. Com esse desempenho, a produção nacional de grãos deve  atingir 202 milhões de toneladas, conforme o projeto, que percorre 16
estados brasileiros do plantio à colheita.

A área da soja cresceu 5,6% (para 31,16 milhões de hectares), menos do que  no ano passado, quando houve expansão de 7% no plantio, conforme a  Expedição. Ainda assim, a taxa é considerada expressiva e resulta de recuo  de 7,9% no cultivo de milho (para 6,36 milhões de hectares) e da expansão  das lavouras sobre pastagens e áreas do Cerrado.

A tendência é que o país colha 50 sacas de soja por hectare, com expansão  de 4,4% em produtividade, aponta a equipe técnica da Expedição Safra,  projeto desenvolvido há nove anos a partir de uma iniciativa do jornal  Gazeta do Povo, de Curitiba. Essa marca de três mil quilos por hectare é a  mesma aferida no início do plantio, antes dos veranicos.

 As lavouras de verão cresceram mesmo com recuo no milho. A estimativa é  que a expansão verificada em estados como Mato Grosso (5,1%) e no  Centro-Norte do país (7,8%) tenham resultado em incremento de 1,13 milhão  de hectares. Soja e milho somam 37,32 milhões de hectares de lavouras.

 Estados com área agrícola consolidada também elevaram o cultivo de soja. O  Rio Grande do Sul plantou 6,95% mais. O Paraná expandiu a área em 3,21% e  espera também produtividade 10,56% maior, depois de um ano de seca. Com  área 5,1% maior, no entanto, Mato Grosso ganha distância como maior  produtor e tem potencial para 27,8 milhões de toneladas, ou 29% da  colheita nacional.

A queda no ritmo de ampliação das lavouras é considerada uma consequência  do recuo nas cotações internacionais. “Nesta safra, verificamos que a  produção brasileira entrou em uma nova etapa, consolidando taxas de  crescimento mais adequadas ao desenvolvimento do agronegócio nacional”,  analisa Giovani Ferreira, coordenador da Expedição Safra.

 Milho

A estimativa da Expedição para o milho é de 32 milhões de toneladas para o  ciclo de verão. O cereal segue em baixa com queda avaliada em 5,8% em  volume e em 7,8% em área plantada, que cai a 6,36 milhões de hectares.

 A colheita deve ser dois milhões de toneladas menor que a do ano anterior,  recuo rebatido pelos 9 milhões de toneladas extras de soja. Entre os  estados que apresentaram maior retração no milho está o Paraná, onde as  lavouras encolheram -21,74%. O estado era o primeiro produtor de verão e  agora aparece em terceiro lugar, atrás de Minas Gerais e Rio Grande do  Sul.

 A Expedição Safra vai voltar a 16 estados até a colheita de verão, a  partir de janeiro. Ao todo, técnicos e jornalistas percorrem 60 mil  quilômetros nesta temporada.