Após dois anos realizado de forma on-line, o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) volta a acontecer presencialmente, como tem sido em grande parte dos eventos do setor. Mas nesse caso há um diferencial: é uma notícia e tanto a possibilidade de se ver novamente centenas de mulheres ligadas ao agro reunidas para debater os principais temas do setor, trocar experiências, formar novos grupos e até planejar a replicação do evento em suas regiões. Elas podem definir os próximos passos da evolução agropecuária no País. E o fazem.

Tal certeza começa pelo público que estará no CNMA, nos dias 26 e 27 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). Serão 2 mil mulheres entre produtoras rurais, técnicas, zootecnistas, médicas veterinárias, executivas de empresas do setor, ou seja, é uma rede ampla e única de conexões. “O congresso aproximou as mulheres de vários lugares. E potencializou a união que elas já faziam”, afirmou a show manager do Transamerica, Carolina Gama, que está à frente desse encontro.

“O congresso potencializou a união que as mulheres do agro já faziam” carolina gama
Transamerica Expo Center

O tema principal da sétima edição do congresso é a coordenação das cadeias produtivas do agronegócio, e abrange áreas que têm exigido – e merecido – mais atenção. Além do antes e do dentro da porteira, ganha mais importância o que vem bem depois, ou seja, as demandas, os desejos e as cobranças dos consumidores. Cada vez mais essa relação tem de ser costurada pelas linhas da transparência, da confiabilidade e da produção responsável, o que inclui a quebra de preconceitos e o respeito às mulheres. O agronegócio é um recorte da sociedade brasileira, portanto também tem muito a avançar na questão da equidade de gêneros.

DESAFIOS De acordo com Carolina, do Transamerica, esse é um ponto relevante para as participantes. “Elas buscam essa igualdade o tempo todo. E essa condição vai chegar, mas vai demorar”, disse. A própria executiva, que é zootecnista, foi vítima de preconceito durante sua atuação no campo, principalmente ao ocupar posição de liderança. “Na fazenda, não seguiam o que eu pedia, riam de mim por eu ser mulher, era um descaso.”

A persistência e os resultados de seu trabalho mudaram a situação, mas ela não romantiza essa relação. Não é para menos. Ainda hoje, muitas profissionais enfrentam olhares de desconfiança sobre sua capacidade apenas por serem mulheres. Um motivo a mais para o assunto estar no centro das discussões do CNMA. Como em qualquer outro setor da economia e em qualquer outro segmento da sociedade brasileira, o combate ao machismo e a toda forma de preconceito é uma responsabilidade coletiva.

MUDANÇAS A questão da equidade de gêneros e da diversidade tem ganhado força na gestão de grandes companhias do agro, sobretudo as multinacionais, seguindo uma tendência global. Até mesmo para atenderem as exigências quanto às práticas ambientais, sociais e de governança, a já famosa sigla ESG. A pesquisa Women in the Boardroom, realizada pela Deloitte com 10.493 empresas de 51 países, mostrou que as mulheres ocupam 19,7% dos cargos em conselhos de administração. No Brasil, esse índice é de 10,4%, e na França, que lidera o ranking, 43,2%.
Uma das novidades do CNMA para este ano é exatamente a apresentação dos resultados de outra pesquisa da Deloitte, agora sobre participação das mulheres no agro. Além de servir como base para os debates na programação do próprio congresso, o estudo também poderá ajudar a direcionar e fortalecer novas iniciativas voltadas à valorização da presença feminina no setor.

Embaixadoras
Em cada região do País há uma representante do Congresso Nacional das Mulheres do Agro dedicada a intensificar a presença feminina na produção agropecuária

Sônia Bonato
(Centro-Oeste)

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Produtora de soja, milho e bezerros na Fazenda Palmeiras (Ipameri, GO) e presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho e outros Grãos Agrícolas do Estado de Goiás (Aprosoja-GO). “Nós, mulheres, estamos com maior participação, tanto dentro como fora da porteira e isso é motivador.”

Ani Heinrich
Sanders (Nordeste)

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Cofundadora e superintendente do Grupo Progresso (Sebastião Leal, PI), atua com soja, milho, algodão, reflorestamento e pecuária. “O crescimento das mulheres em todos os setores, com sua capacitação profissional e sua força, vai alavancar todo o processo evolutivo do agro.”

Renata Cardoso Salatini
(Norte)

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Gestora da Fazenda Maria Júlia, voltada à produção de grãos em Paragominas (PA). “Atualmente, as oportunidades de trabalho para mulheres no campo estão muito atrativas e é preciso um movimento constante para permanecer na atividade.”

Chris Morais
(Sudeste)

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À frente da Agrorancho (Barretos, SP), a pecuarista também preside a Câmara Setorial da Pecuária na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. “A mensagem que quero levar é sobre empreendedorismo e a necessidade de atualização constante para os negócios.”

Edineia Becker
(Sul)

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A produtora rural transformou o desafio de administrar a Fazenda Santo Antonio (Boa Ventura de São Roque, PR) em oportunidade de valorizar a participação feminina no agronegócio, o que pode trazer “muito mais transformações para o setor”.