02/12/2016 - 12:47
São Paulo, 2/12 – A Consultoria INTL FCStone divulgou nesta sexta-feira, 2, relatório de dezembro sobre “Estimativa Brasileira da Safra de Grãos (Soja e Milho) – 2016/17”, o qual apresenta uma revisão para a produção brasileira de soja, que deverá aumentar para 102,093 milhões de toneladas, em comparação com 101,832 milhões de toneladas projetados no mês anterior. Conforme a empresa, em nota, “o ajuste decorreu da revisão dos números de Mato Grosso do Sul”.
A FCStone acrescenta que “apesar de preocupações com o clima mais seco na região sul do Estado, por enquanto, os produtores não esperam perdas irreversíveis”. A área de plantio está estimada em 33,585 milhões de hectares, em comparação com 33,538 milhões de hectares no levantamento de novembro.
A consultoria relata que as condições desenvolvimento das lavouras são positivas. “As preocupações com o clima se concentram mais ao Sul do País, principalmente no Rio Grande do Sul, que poderia ficar mais seco nos próximos meses, sob os efeitos de um padrão climático de La Niña”, informa.
Com relação ao milho, a INTL FCStone estima produção total recorde de 91,05 milhões de toneladas em 2016/17, “significativo incremento puxado pela safrinha de milho”. Desse volume, a produção do cereal de inverno (safrinha) deve corresponder a 61,6 milhões de t. Este é o primeiro levantamento da consultoria para a safrinha de milho, que finalizou 2015/16 em 40,8 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“O plantio da soja foi bastante adiantado em algumas regiões, com destaque para Mato Grosso, o que amplia consideravelmente a área potencial para a semeadura da segunda safra de milho dentro da janela ideal”, avalia a analista de Mercado da consultoria, Ana Luiza Lodi.
Em relação à área plantada com o cereal, a FCStone projeta aumento de 7,5% em relação ao ciclo 2015/16, uma vez que os preços internos ainda se encontram mais fortalecidos em relação ao mesmo período de anos anteriores.
Mesmo com o potencial produtivo inédito, o número da primeira safra de milho apresentou leve recuo na avaliação de dezembro da INTL FCStone, ficando em 29,4 milhões de toneladas em comparação com 29,7 milhões de toneladas no mês anterior.
Segundo a consultoria, a queda decorreu de uma revisão na área de Estados do Matopiba (acrônimo formado com as iniciais dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), apesar de um leve aumento de área em Santa Catarina. Com isso, a área no verão foi estimada em 5,8 milhões de hectares, ante 5,9 milhões de hectares em novembro.
De acordo com a consultoria, o balanço de oferta e demanda previsto para 2017 é significativamente diferente do verificado neste ano. “A abundância de grãos após a segunda safra tende a reduzir os preços domésticos para a paridade exportação. Atualmente, isso significaria uma redução de até 30% nas projeções de preços no interior – o que tende a estimular o consumo doméstico”, comenta Ana Luiza.
A estimativa de exportação considera o atual nível de câmbio e preços internacionais, e novas desvalorizações do real podem levar a menor formação de estoques.