A posição mundial diante dos ataques de Israel à Faixa de Gaza é alvo de frequentes críticas por parte de defensores da causa palestina. Em um encontro na noite de sexta-feira (4), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), pesquisadores, jornalistas e palestinos defenderam uma ação mais contundente por parte da comunidade internacional, incluindo o Brasil.

A atividade foi realizada por iniciativa da deputada estadual Mônica Seixas (PSOL), no Dia da Terra Palestina, celebrado em 30 de março. Nesta data, em 1976, uma greve geral de palestinos contra a expropriação de terras pelo governo de Israel foi duramente reprimida, resultando na morte de seis pessoas.

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Presente no evento, o fundador do veículo de comunicação Opera Mundi, Breno Altman, considera que está em curso uma “limpeza étnica a que não assistimos desde a época da Alemanha nazista”. 

“Trata-se da grande questão moral e geopolítica da contemporaneidade e descortina um aspecto essencial sobre o sistema imperialista.”

Para o jornalista, está evidente que inclusive países governados a partir de valores da social-democracia têm colaborado para o atual cenário em Gaza. 

Antes, argumenta Altman, Israel assegurava que sua meta era apenas expulsar o Hamas da Faixa de Gaza, lutar contra a resistência palestina. Agora, contudo, já desejaria expulsar todos os palestinos e abrir campo para empreendimentos dos Estados Unidos.

Para Samir Oliveira, coordenador da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, as manifestações contra as ações de Israel deveriam ser ampliadas do nível individual para o institucional.

“As manifestações de repúdio à matança promovida por Israel já tem acontecido individualmente, por expoentes importantes da academia, mas instituições têm evitado fazer o mesmo.”

“A maioria das universidades está lamentavelmente sucumbindo”, destacou Oliveira, explicando que muitas universidades não criticam o que está ocorrendo para não perder verbas na casa dos bilhões de dólares.

Para ele, é urgente o rompimento do Brasil com Israel na comercialização de petróleo. Oliveira citou um levantamento da Oil Change International, feito com o auxílio de satélites, que mostrou que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, 9% do volume bruto enviado a Israel era de origem brasileira.

“Obviamente, não é uma quantia muito elevada, mas não importa. É uma questão de princípios. O Brasil precisa fechar essa torneira”, defende.

Ditadura

Em sua fala, a coordenadora da Frente Palestina SP, a jornalista palestino-brasileira Soraya Mesleh, salientou um aspecto especialmente importante este ano, quando se completam 40 anos do final da ditadura civil-militar no Brasil: o fato de que as forças de repressão utilizaram uma série de técnicas israelenses para violar direitos e sustentar os militares no poder após o golpe.

A líder palestina acredita que a solução é garantir o isolamento de Israel na comunidade internacional e diz que a ação do Brasil deve ser concreta e contundente: “para além das palavras, ações.”

Desde o início da nova fase do conflito, em outubro de 2023, o governo brasileiro e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiaram por diversas vezes a violência e as violações de direitos humanos, inclusive com tentativas de acordos para cessar-fogo. Outros países fizeram esforços semelhantes, mas, por enquanto, o conflito segue em curso.