Após a primeira derrota de um presidente da República que tenta a reeleição, em seu primeiro pronunciamento após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), declarou que o resultado das urnas não deve ser contestado e disse que é hora de “desarmar os espíritos”. Apoiador de Bolsonaro e um dos principais articuladores do governo no Congresso, Lira também pediu que não haja “revanchismo” nem “perseguições”.

Expoente do Centrão, bloco que comandará o Congresso nos próximos quatro anos, com pelo menos 235 cadeiras, e grande parte dos governos estaduais, Lira disse, em tom conciliador, que “a vontade da maioria manifestada nas urnas jamais deverá ser contestada e seguiremos em frente na construção de um País soberano, justo e com menos desigualdades”. “É hora de desarmar os espíritos, estender a mão aos adversários, debater, construir pontos, propostas e práticas que tragam mais desenvolvimento, empregos, saúde, educação e marcos regulatórios eficientes”, afirmou o presidente da Casa, ao lado de aliados, incluindo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Lira acompanhou a apuração dos votos em Brasília, ao lado de aliados, como o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e dos deputados André Fufuca (PP-MA), Celso Sabino (União-PA), Danilo Forte (União-CE) e Hugo Leal (PSD-RJ). Ele destacou as reformas econômicas e disse que o perfil do Congresso eleito neste ano ajudará a pautar os projetos. “As urnas já haviam falado em 2 de outubro passado, quando apontaram que querem um Brasil no caminho das reformas, de um Estado menor e mais eficiente. Esse recado foi dado e deverá ser levado a sério”, disse ele.

BOLSONARO E ALIADOS

O presidente Jair Bolsonaro (PL) não conseguiu reverter a vantagem do candidato do PT apesar do aumento de gastos da máquina pública e da aliança com o Centrão no Congresso Nacional. Lula derrotou o atual presidente e conquistou a vitória com a maior quantidade de votos da história em uma eleição presidencial.

Bolsonaro acompanhou a apuração do Palácio da Alvorada. À noite permanecia recluso, enquanto o petista discursava. Frustrados com a derrota de Bolsonaro, apoiadores do presidente que estavam reunidos na Esplanada dos Ministérios, onde pretendiam celebrar a reeleição, esvaziaram o local. Com lágrimas, bolsonaristas faziam orações e diziam temer pelo futuro do País.

Durante a apuração do resultado, eles fizeram um culto religioso com louvores e um sermão evangélico e rezaram um pai-nosso. Depois, se voltaram ao Ministério da Defesa, onde pararam para tirar fotos. Conforme a apuração ia avançando, muitos choraram, lamentando o resultado, e dizendo “se apegar em Deus” a partir de agora. Apoiadores afirmaram, porém, que ex-ministros de Bolsonaro eleitos para o Senado são a esperança de oposição a Lula, já que muitos dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas redes sociais, influenciadores de direita assumiram a derrota e optaram por um tom de conformismo, após o resultado oficial ser divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Alguns dos principais perfis de apoio a Jair Bolsonaro que vinham questionando a segurança das urnas mudaram o tom e passaram a falar que o resultado seria uma “falência moral” do País.

MORO E SALLES

O ex-ministro e senador eleito Sergio Moro (Pode-PR), que aderiu à campanha de Bolsonaro na reta final, prometeu ir para a oposição. “A democracia é assim. O resultado de uma eleição não pode superar o dever de responsabilidade que temos com o Brasil”, escreveu em sua rede social.

O deputado eleito Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, falou da disputa acirrada. “O resultado da eleição mais polarizada da história do Brasil traz muitas reflexões e a necessidade de buscar caminhos de pacificação de um País literalmente dividido ao meio. É hora de serenidade”, disse.

PROMESSAS

A campanha do atual presidente tentou derrotar Lula apostando no discurso religioso e em colar a imagem de corrupção no adversário, mas enfrentou desgastes após denúncias envolvendo o Ministério da Educação e desvios de recursos por meio do orçamento secreto, esquemas levantados pelo Estadão.

O pacote eleitoral de Bolsonaro para tentar a reeleição incluiu redução de impostos sobre os combustíveis e aumento de transferência direta de renda por meio do programa Auxílio Brasil, no valor de R$ 600 mensais. Ele foi criticado por governadores por cortar a arrecadação dos Estados no período eleitoral e por não garantir a manutenção do auxílio com o mesmo valor em 2023, apesar de ter feito essa promessa aos eleitores.

Bolsonaro se tornou o chefe do Executivo que mais gastou com emendas parlamentares, o dinheiro enviado para atender a indicações de congressistas por meio do orçamento secreto. Foram R$ 45 bilhões.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.