01/11/2008 - 0:00
A expressão “tempos de vacas gordas” cai como uma luva para ilustrar o momento pelo qual passa a Alltech, empresa americana de produção de aditivos para nutrição animal. Presente no Brasil há 15 anos, seus resultados no País têm puxado o lucro global da companhia. No último ano, as vendas em terras nacionais cresceram 25% e somaram R$ 80 milhões. O maior crescimento dentre os mais de 80 países em que atua. Números que resultam de uma mudança de foco da empresa, que sempre teve o setor avícola como principal negócio, mas que, no início do ano passado, percebeu que a pecuária dava sinais de crescimento e sem perder tempo colocou no mercado uma série de produtos para bovinos. A aposta deu certo e o setor de ruminantes já responde por 30% das vendas. Com isso, o País passou a ser um mercado estratégico para a expansão global da companhia, que pretende chegar a 2012 com um faturamento mundial de US$ 1 bilhão, o dobro do registrado em 2007, quando fechou com US$ 500 milhões. “O Brasil é o nosso mercado que mais cresce e acreditamos que irá responder por 10% desse faturamento”, prevê o diretor-geral da Alltech no Brasil, Ary Fischer.
De acordo com o executivo, para alcançar essa meta o Brasil tem recebido uma série de investimentos. Só no ano passado foram mais US$ 2 milhões destinados à ampliação da fábrica de Maringá (PR). Até o fim de 2008 os recursos devem somar R$ 20 milhões.
“Em 2006 já investimos R$ 50 milhões na construção de uma nova fábrica no Paraná.” A idéia é transformar o País em um centro de produção para o mercado interno e externo. Hoje, a capacidade produtiva, somando as suas duas fábricas, é de 150 mil toneladas de aditivos ao ano. Cerca de 50% são exportados e a tendência é que essa participação cresça 30% nos próximos anos.
ARY FISCHER: Brasil é o mercado mais atraente, depois dos Estados Unidos
A Alltech está construindo nos Estados Unidos sua primeira biorrefinaria, que utilizará a fermentação de celulose para produzir ração animal e álcool com os derivado de restos de cultura. Um investimento de US$ 78 milhões, dos quais US$ 38 milhões são financiados pelo governo americano. “Será um complemento de mercado, já que não vamos produzir somente etanol nessas refinarias”, afirma o diretor, que não descarta a possibilidade de implantação desse tipo de usina no Brasil.