ESPERANÇA: o diretor florestal Germano Vieira aposta que investimentos valerão a pena

Há pouco menos de um ano, o Rio Grande do Sul despontava como um futuro pólo madeireiro. Condições como clima favorável e disponibilidade de terras por preços acessíveis faziam do Estado um porto seguro para investimentos nesse setor, o que atraiu várias empresas para a região. Foi o caso da chilena Masisa, fabricante de placas de MDF e MDP, utilizadas na confecção de móveis. Com faturamento de US$ 219, 9 milhões e uma base florestal de pouco mais de 36 mil hectares, sendo 1,2 mil hectares no Sul, a empresa decidiu erguer sua segunda fábrica no País, orçada em R$ 223 milhões, em terras gaúchas. “É a maior unidade da empresa no Brasil. Há uma concentração grande de clientes na região”, conta o diretor florestal da Masisa, Germano Vieira. Mas o que poderia ser um exemplo de pujança acabou virando uma exceção. Isso porque a empresa é uma das poucas que mantiveram os seus investimentos de pé.

Companhias como Aracruz, Stora Enso e Votorantim, entre outras, também decidiram desembarcar no Estado, com recursos totais que ultrapassavam a marca de U$ 5 bilhões. O tempo passou e o que parecia bom não se mostrou tão bom assim e uma série de problemas podou as expectativas sulistas. Lentidão na emissão de licenças ambientais, burocracia na concessão de terras e os efeitos da crise financeira fizeram com que as empresas pisassem no freio.

A Masisa manteve a aposta e deve inaugurar sua fábrica ainda no primeiro semestre, elevando sua capacidade produtiva dos atuais 300 mil metros cúbicos para 750 mil metros cúbicos ao ano.

Além de expandir sua área para cerca de 20 mil hectares no Estado. “Os planos continuam como o previsto”, anima-se Vieira.

Já no caso da Aracruz, uma das líderes de produção de celulose no mundo, com faturamento de US$ 2,2 bilhões, o panorama é bem diferente. Depois de amargar perda de US$ 2,13 bilhões no mercado de derivativos, a empresa adiou um projeto de US$ 900 milhões para construção de uma fábrica na região de Guaíba (RS). “Aracruz permanece determinada a retomar seus investimentos, tão logo as condições de mercado os justifiquem”, diz a empresa em nota oficial.

ADEQUADO: Rio Grande do Sul possui bom solo e clima para a silvicultura

A revolução verde ora anunciada deixou para trás números caudalosos. Dados da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor) mostram que em sete anos a área plantada com florestas no Rio Grande do Sul passou de 400 mil hectares para 900 mil hectares. O faturamento do setor saltaria de R$ 3,5 bilhões para R$ 10 bilhões, um incremento de 185%. “Podemos nos tornar o segundo pólo de silvicultura do País”, afirma o presidente da Ageflor, Roque Justien.

Mas a crise não é a única nuvem negra nos planos da silvicultura gaúcha. A dificuldade para obter liberação de terras também tem sido um entrave, como mostra o exemplo da Stora Enso. Sem conseguir a liberação de terras pelo Incra, que alega não poder conceder faixas de fronteira para o capital estrangeiro, a empresa de origem sueco-finlandesa vê o seu projeto de US$ 2,5 bilhões para construção de um complexo industrial travado. “Não temos como redirecionar os investimentos”, argumenta o vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, Otavio Pontes, enquanto aguarda o desfecho do impasse na Justiça.