A receita líquida total do setor de máquinas e implementos agrícolas no Brasil alcançou R$ 66,75 bilhões em 2025, alta de 7,4% sobre 2024, com produtores embalados por safras recordes de soja e milho, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados nesta quarta-feira, 28. O faturamento com as vendas no mercado interno, que responde pela maior parte da receita, somou R$ 57,6 bilhões em 2025, aumento de 6,7% sobre 2024.

“Depois de dois anos de queda, teve crescimento interessante. Viemos de um quadro climático e preços ruins, o que impactou negativamente os investimentos (mas) o ano de 2025 foi de clima bastante favorável, com crescimento de safra, e viabilizou ganhos de investimentos”, afirmou a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, a jornalistas.

As vendas totais de tratores e colheitadeiras pelo setor no país no ano passado somaram 61.064 unidades, crescimento de 14,1% ante 2024, mesmo com a desaceleração observada em dezembro, quando as vendas caíram 15,6% em relação ao mesmo mês de 2024, totalizando 4.098 máquinas. Tratores responderam pela maior parte do volume. As vendas no mercado interno atingiram 52.124 unidades em 2025, expansão de 16,5% ante 2024, apesar da queda de 18,1% na comparação de dezembro contra o mesmo mês do ano anterior. No caso das colheitadeiras, as vendas internas cresceram 5,2% no ano, para 3.410 unidades, embora dezembro tenha registrado queda de 13,7% sobre o mesmo mês de 2024.

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Em 2025, as exportações da indústria de máquinas agrícolas avançaram 12,2% no ano, totalizando US$ 1,63 bilhão. As vendas para os Estados Unidos, no entanto, caíram 9,1% no ano passado, diante das tarifas impostas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, e os EUA perderam participação no total das vendas externas de máquinas do Brasil, passando de 27% em 2024 para 23% no ano passado. Enquanto isso, as vendas externas para a Argentina subiram 38,4% no ano passado, afirmou a Abimaq, houve ainda crescimentos nas exportações brasileiras de máquinas de 74,3% para Cingapura, de 17% para o Chile e de 22,5% para o Peru.

Máquinas agrícolas em 2026

A expectativa para a receita líquida total do setor para este ano é de crescimento de 4%, após uma expansão de 7,3% em 2025, para R$ 298,98 bilhões. “A desaceleração a partir do segundo semestre (de 2025), deve continuar ao longo de 2026”, disse Cristina Zanella. Ela afirmou que embora a carteira de encomendas do segmento de infraestrutura continue “bastante elevada” e que 2026 seja um ano eleitoral em que algumas obras são aceleradas, o segmento de transformação segue sendo pressionado pelo endividamento das famílias.

Além disso, o mercado internacional segue “bastante conturbado e isso deve impactar negativamente nas vendas de máquinas do Brasil”, acrescentou Zanella, citando ainda um câmbio menos propício para exportações. No conjunto de previsões da Abimaq, a expectativa para receita no mercado interno é de expansão de 5,6%, as exportações devem mostrar estabilidade e os investimentos da indústria de máquinas devem subir 5,5%.