30/05/2022 - 19:41
Em uma crise há os que choram e os que vendem lenços. A frase, cuja autoria é indefinida, já virou mantra entre os empreendedores, tamanha é sua aplicabilidade no mundo dos negócios. Em tempos de uma das mais graves crises
sanitárias dos últimos tempos, ela caiu com uma luva para o agronegócio. O setor que, acreditava-se, precisava de
uma intensa relação interpessoal para o sucesso de transações comerciais, viu a tendência dos marketplaces —
já comum no varejo — ganhar um espaço impensável há dez ou cinco anos. Alguns fatores fizeram essa nova realidade possível. Entre elas a determinação do produtor de ganhar mercado nacional e internacionalmente a despeito das dificuldades impostas pela pandemia, a rápida aderência do produtor brasileiro a novas tecnologias,
além de grandes marcas como Agrofy, Lavouro e Nutrien resolverem apostar alto nesta nova maneira de oferecer produtos e serviços ao agro brasileiro.

Primeiro, aos dados. Segundo o estudo A Cabeça do Agricultor na Era Digital, publicado pela McKinsey no ano passado, o uso dos meios digitais no Brasil entre os anos de 2020 e 2021 cresceu de 36% para 46%. O incremento de dez pontos porcentuais é maior do que o registrado nos Estados Unidos que passou de 24% para 31% e na Europa
que foi de 15% para 22%. Essa alta taxa de digitalização do produtor brasileiro, segundo o que disse o professor de Agronegócios do Insper, Marcos Jank, durante o lançamento da pesquisa, acaba com um mito comum quando se fala do setor: a função da internet hoje vai muito além da consulta de preços, como se acreditava no passado. “Na verdade, ele a usa em toda a jornada”, afirmou. Isso significa que os canais on-line são cada vez mais procurados para pesquisar, comprar, avaliar, cotar, comprar, obter suporte e recomprar mercadorias para o campo.
CONCORRÊNCIA Mesmo com plano bem estruturado, a empresa de Maximiliano encontrará desafios pela frente. Um deles é a concorrência. A Lavoro, uma das maiores distribuidoras de insumos para o agronegócio, resolveu entrar de cabeça no comércio digital. Só no ano passado, disse Marcelo Abud, presidente da companhia, foram investidos R$ 15 milhões. “Para a safra que começa, vamos investir outros R$ 30 milhões”.Tudo isso feito com muita cautela para ganhar a confiança do consumidor.

representantes distribuídos por todos os estados do País. “O objetivo é entregar o que o produtor quer comprar
e tornar o Brasil e a América Latina mais competitivos globalmente”, afirmou Abud.
No mesmo ritmo está a canadense Nutrien, que anunciou investimentos de R$ 600 milhões no Brasil para transformar suas lojas em centros de experiência, criar logística inteligente e entregar produtos e serviços agregados. O esforço, afirmou o presidente da Nutrien América Latina, André Dias, tem um objetivo bem específico: “Estamos em criação e consolidação de um modelo diferente. Vejo aparecendo alguns Walmart [no agro], não vejo ninguém criando a Amazon ou algo pós-Amazon”, disse.
Traduzindo, o executivo quer entregar soluções integradas e digitalizadas aos produtores, principalmente aos de pequeno e médio portes com áreas entre 100 e 3 mil hectares. Esse é o caminho escolhido por Dias, para fazer crescer a receita do País que no ano passado contribuiu com R$ 3 bilhões nos US$ 27,7 bilhões da faturamento global. A competição para quem será o Jeff Bezos do agronegócio brasileiro está aberta, para a sorte do produtor. (Com reportagem de Romualdo Venâncio e Beto Silva)