Ribeirão Preto, 5/5 – O vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Francisco Matturro, que assumiu a presidência da Agrishow até 2019, defendeu nesta sexta-feira, 5, a proposta recorrente do setor, de um plano plurianual de safra, mas admitiu que, na conjuntura do País, com inflação e juros voláteis, o programa seria impossível de ser adotado. “Plano plurianual é para dez anos, mas um para três anos, por exemplo, já seria impossível. Com instabilidade do País, teríamos de pedir reuniões para que o plano fosse revisto a cada seis meses”, disse Matturro após o evento de balanço da feira, em Ribeirão Preto (SP).

O líder setorial demonstrou preocupação com a taxa de juros para a safra agrícola e pecuária 2017/2018, cujos detalhes serão finalizados ainda este mês, e ainda com a posição contrária dos principais ministros que discutem a proposta. “O (Henrique) Meirelles (Fazenda) é ministro forte e defende juros pós-fixados para safra, o que seria muito complicado para o produtor justamente por conta dessa instabilidade. Mas acredito na posição firme do ministro (Blairo) Maggi (Agricultura) de que teremos juros pré-fixados”, afirmou.

Matturro assumiu a presidência da Agrishow do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fabio Meirelles, e disse que a perspectiva de alta de 13% nos negócios na edição 2017 sobre 2016, para R$ 2,2 bilhões, “é uma recuperação após a crise econômica nos anos anteriores”. Outro fator que motivou o crescimento, de acordo com Matturro, é o investimento em tecnologia agrícola. “Não é só renovação de maquinário, mas o investimento em tecnologia nas máquinas que já rodam no campo que alavancam as vendas”, concluiu.

Além do aumento na expectativa de negócios, os organizadores da Agrishow informaram que o público na edição deste ano chegou a 159 mil visitantes em uma avaliação ainda parcial, ante 152 mil na edição passada.

A edição de 2018 da maior feira de agronegócios da América Latina será realizada de 30 de abril a 4 de maio.