30/04/2019 - 11:47
São Paulo, 30 – A Bayer poderia pagar até 5 bilhões de euros em possíveis indenizações judiciais envolvendo o glifosato sem perder sua atual classificação de risco e crédito, de acordo com a agência de rating Moody’s. Contudo, o relatório da agência pondera que se as indenizações atingirem o montante de 20 bilhões de euros poderiam prejudicar o rating da companhia, levando-a a uma categoria mais baixa. Atualmente, a multinacional alemã é classificada pela Moody’s como Baa1-.
Na avaliação, a Moody’s considera uma receita de 8,5 bilhões de euros com as vendas do Roundup, herbicida à base de glifosato, e uma previsão de fluxo de caixa livre de aproximadamente 3,1 bilhões de euros, que cobririam os gastos de 5 bilhões de euros com reveses judiciais.
“A alavancagem cairia para menos de 3,0 vezes, abaixo da previsão da Moody’s de 3,4 vezes em 2019, o que está de acordo com as expectativas da agência para um rating Baa1”, explica a agência.
Já para a hipótese de indenização de 20 bilhões de euros, a companhia, mesmo que venda ativos ou escalone a liquidação dos pagamentos, manteria seu nível de alavancagem acima de 3 vezes, superior ao permitido para o rating Baa1, segundo a Moody’s.
A Moody’s afirmou ainda que, no momento, é difícil calcular a quantia de possíveis pagamentos indenizatórios, antes que mais casos sejam decididos.
“Qualquer que seja o resultado do caso legal, a Bayer enfrenta risco de reputação, por causa das preocupações com saúde e segurança em relação ao glifosato. O debate público em andamento pode afetar a demanda, embora haja risco de que reguladores como a União Europeia revoguem licenças para o uso de glifosato”, observou Martin Kohlhase, vice-presidente sênior de Crédito.
A gigante farmacêutica enfrenta uma série de ações judiciais envolvendo o Roundup, que é acusado de cancerígeno. A empresa perdeu os dois primeiros litígios nos Estados Unidos, mas está recorrendo dos veredictos e espera que as disputas sejam longas. Um tribunal da Califórnia condenou a empresa ao pagamento de US$ 78,5 milhões em indenização a um ex-jardineiro, enquanto um júri de São Francisco condenou a companhia a pagar indenização de cerca de US$ 80 milhões em outro caso.
A companhia informou que enfrenta 13,4 mil processos judiciais envolvendo o herbicida. Apesar disso, o CEO global, Werner Baumann, afirma que as vendas do herbicida não parecem ter sido afetadas. A Bayer não divulga provisão para custos com a defesa ou possíveis indenizações resultantes do litígio. O agroquímico era produzido pela Monsanto, que foi adquirida pela Bayer em 2018 por US$ 63 bilhões.