01/03/2008 - 0:00
Dono da Brasilinvest lança projeto que fará o transporte
do álcool produzido em Mato Grosso do Sul direto para o
Porto de Paranaguá
GARNERO: setor produtivo tem de investir mais e reclamar menos do País
O empresário Mario Garnero, dono da Brasilinvest, diz que quer vender etanol para o mundo. Para tanto, ele não pretende entrar em novos projetos de usinas de álcool e açúcar e sim transportar parte do álcool produzido do Centro- Oeste para o Sul do Brasil. Sua idéia é construir um alcoolduto ligando as cidades de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, até o Porto de Paranaguá, no Paraná, numa obra de mais de 950 quilômetros. Para tanto, ele acredita que será necessário desembolsar um total de R$ 2 bilhões, dos quais 35% serão de recursos próprios e o restante capitado no mercado. Entre os possíveis sócios alguns candidatos já se manifestam a favor da empreitada. Entre eles, a própria Petrobras, que tem interesse na obra, e os governos dos Estados envolvidos.
PUCCINELLI: obra pode resolver problema logístico no Estado
“Transportaremos aproximadamente três milhões de metros cúbicos de etanol”, diz Garnero. O calendário de obras, de acordo com o investidor, acompanhará o ritmo de crescimento de Mato Grosso do Sul, que pretende produzir três bilhões de litros do combustível até 2011. Em termos logísticos, segundo ele, o alcoolduto fará o papel de 800 caminhões por safra. “É um impacto muito positivo, que será mais rápido e eficiente, mesmo se comparado às ferrovias”, avalia. Contundente, ele diz que o setor produtivo do Brasil deve parar de reclamar da falta de infra- estrutura e participar dos grandes projetos para o País. “Não adianta chorar, se o Estado não faz a sua parte, o empresariado tem como comparecer”, analisa. Fôlego para isso, de acordo com ele, não falta. “O Brasil vive um momento de crescimento, com crédito e bons projetos. Quem aproveitar pode ganhar dinheiro”, resume. O empresário diz que é cedo para falar em retorno financeiro, mas o formato já é conhecido. “Os pagamentos acontecerão por direitos de passagem”, informa.
Enquanto Garnero faz as contas, o governador André Puccinelli, de Mato Grosso do Sul, torce para que o alcoolduto aconteça rápido. A obra consta em seus projetos de governo. “Chegamos a incluir o alcoolduto do PAC”, diz.
“Sabemos que a logística é um problema em nosso Estado, por isso uma obra dessa magnitude é muito importante para o desenvolvimento local”, avalia. Com isso, de acordo com Puccinelli, boa parte dos entraves logísticos estaria resolvida. “Vamos colocar esforços para que tudo seja viabilizado”, afirma o governador.
Outro interessado em que o projeto ande rápido é o governador do Paraná, Roberto Requião. Com o aumento das exportações de etanol, teme-se que as filas para o porto fiquem ainda maiores. “É a exportação de álcool para o mundo e o abastecimento do Brasil pela navegação de cabotagem.
REQUIÃO: duto vai retirar 800 caminhões das filas do porto
É uma proposta interessante que vamos aperfeiçoar.” Requião defendeu a participação de grupos estrangeiros que assegurem o consumo de álcool dos produtores brasileiros para garantir a produção. “Se nós fecharmos esta equação de comercialização da proposta, nós vamos em frente. As perspectivas são boas neste momento”, diz.
Para o idealizador do projeto, Mario Garnero, a participação de grupos estrangeiros é uma questão de tempo. “No mundo todo estamos vendo uma demanda muito grande por esses combustíveis, não há como fugir”, avalia. Segundo ele, a Europa demandará mais consumo de biodiesel, enquanto os Estados Unidos devem consumir mais etanol. Garnero afirma que sua empresa está procurando os próprios produtores de etanol e tem conseguido bastante apoio.
“Acredito que muitas usinas têm interesse em participar não só da utilização do alcoolduto, mas também de sua construção”, pondera. Resolver um gargalo logístico antes que ele se instale é a proposta. “O Brasil tem que aproveitar esse momento tão positivo e dele criar novas oportunidades, senão ficaremos, para sempre, confinados àquelas mesmas reclamações. Agora é hora de trabalhar”, diz.
FOTOMONTAGEM: PERSONAGEM FOTO EDUARDO MARTINO/AG. ISTOÉ – CANAVIAL: FOTO HELCIO NAGAMINE/AG. ISTOÉ