energia elétrica: estrume do gado e serragem podem virar itens de redução das contas

Da porteira da Fazenda Iguaçu/Starmilk, em Céu Azul (PR), é possível ouvir um longo coro de mugidos emitido pelas 900 vacas da propriedade. Metade delas está em lactação, o que permite que o proprietário, Ibrahim Fayad, tenha 19 mil litros de leite diariamente para vender. É uma grande e lucrativa produção, mas é o estrume delas que está transformando a economia da fazenda. Há um ano, as contas diminuíram e o orçamento dos Fayad ganhou um zero a mais no final. Tudo isso porque ele instalou um biodigestor na propriedade para transformar em energia elétrica os dejetos da criação e as sobras de serragem do manejo. “Tudo vira energia alternativa, lucrativa e ecologicamente correta”, afirma o fazendeiro. O equipamento produz o biogás e o que sobra do processo vira fertilizante. “É uma economia e tanto”, diz.

Hoje, a Starmilk é um dos maiores fornecedores de energia para a Companhia Paranaense de Energia Elétrica, Copel. Diariamente, 150 toneladas de estrume são transformadas em 720 m3 de biogás, quantidade suficiente para suprir a necessidade dafazenda e vender o excedente para a Copel, medida autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, em dezembro de 2009. “Infelizmente, poucos produtores sabem disso”, afirma Fayad.

 

R$ 300 mil foi quanto a lar economizou com a venda do biogás para a copel

 

Assim como a Starmilk, outras propriedades da região investiram nessa tecnologia para diversificar a economia. Como a unidade industrial de aves da Lar, de Matelândia (PR), dona do maior biodigestor do País, que chega a lucrar R$ 300 mil por ano com a venda do biogás para a Copel, R$ 500 mil por ano com créditos de carbono. Outros R$ 5 mil são economizados com a compra de fertilizantes. Os biodigestores são equipamentos de tecnologia simples, mas produzem resultados positivos. “Os dejetos são prejudiciais e quando tratados de forma errada geram gás metano, um dos principais causadores do efeito estufa, 21 vezes mais poluente que o gás carbônico”, afirmou o diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek, um dos maiores incentivadores do uso da tecnologia por produtores rurais. “Os micro e pequenos produtores podem ser importantes fornecedores de energia”, diz.