01/09/2011 - 0:00
“Em 2010, o Valor Bruto da Produção do Centro-Oeste foi 20% menor que o do Sul e 31% menor que o do Sudeste”
é presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás
A cada safra, o Centro-Oeste se consolida como um importante pilar do agronegócio brasileiro. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a região é responsável por 62% da produção nacional de algodão, por 46% da produção de soja e por 30% da produção de milho. Além disso, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal são essenciais às exportações: juntos, respondem por 42% do complexo soja, 74% do milho e 60% do algodão cultivados. A região é responsável por 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 35% do PIB agropecuário.
No entanto, quando comparamos os dados do valor bruto da produção (VPB) do Centro-Oeste é que observamos o desafio pela frente. A região possui uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, 42% maior que a Sudeste e 64% maior que a Sul. Mesmo assim, de acordo com o ministério da Agricultura, em 2010, o VBP do Centro- Oeste foi 20% menor que o obtido pela região Sul e 31% menor que os valores alcançados pelo Sudeste.
Um dos principais gargalos é a infraestrutura, principalmente no que se refere ao escoamento da produção. É necessário que as regiões mais distantes dos locais de embarque da exportação utilizem modalidades mais eficientes, como transporte ferroviário e hidroviário. Tais modalidades, apesar de apresentarem um tempo maior para o escoamento, têm capacidade bem mais elevada e podem trazer economia de custos e redução de perdas.
APTIDÃO NATURAL: nos últimos dez anos, a produção de grãos e fibras na região Centro-Oeste cresceu 91%
Quando comparamos o custo logístico para o escoamento de uma tonelada de soja do Centro-Oeste brasileiro com o custo no Meio-Oeste americano é que comprovamos o quanto ele é oneroso para a produção nacional. Para o transporte desse produto de Sorriso, em Mato Grosso, ao Porto de Santos, em São Paulo, – uma distância de 2.031 quilômetros – são gastos em torno de R$ 215 por tonelada. No escoamento da mesma quantidade do produto de Daverport, em Iowa, no Meio-Oeste americano, até o porto de New Orleans, em Louisiana – uma distância de 2.161 quilômetros – são gastos em torno de R$ 67 a tonelada.
Assim como a infraestrutura, a falta de uma política agrícola consistente e o desalinhamento das políticas macroeconômicas com o setor produtivo são os outros gargalos para o desenvolvimento do Centro-Oeste. Esses gargalos, além de impedir o desenvolvimento da competitividade do setor, depreciam a rentabilidade dos produtores. Atualmente, esse descompasso tem causado maiores impactos ao desenvolvimento agropecuário do que as políticas setoriais.
Quanto à política agrícola, é necessário que ocorra um sistema de crédito mais eficaz e um seguro rural mais funcional. De acordo com o levantamento da Faeg, no Centro- Oeste o crédito oficial de custeio atende apenas à necessidade de 20% a 25% das áreas cultivadas. Da mesma forma, o seguro rural protege apenas entre 8% e 11% das lavouras. Outro entrave é a insegurança jurídica. A indefinição em relação à aprovação de um Código Florestal mais moderno, que permita o desenvolvimento sustentável da região, tem causado grande inquietação.
Contudo, o Centro- Oeste vem cumprindo seu papel em relação ao abastecimento interno e à produção de excedentes exportáveis. Temos como exemplo a produção de grãos e fibras, que, nos últimos dez anos, cresceu 91%. O cumprimento desse papel se traduz não só no aumento da produção, mas também em melhorias para outras áreas da economia e na valorização do papel social do agronegócio. Toda essa conjuntura traz benefícios não só para a região Centro-Oeste, mas para todo o Brasil.