Produção: rural ajudou a manter a economia brasileira aquecida no ano passado e as condições continuam favoráveis ao setor. saiba o que esperar para os próximos meses produção: agricultura e pecuária chegam a um PIB de R$ 822 bilhões em 2011. Para 2012, a ordem é acelerar

A esperança vem da ChinaPaís asiático pode manter a demanda e o preço das commodities, amenizando os efeitos da crise econômica na europa

Em ano de crise financeira mundial, o agronegócio no Brasil deu as costas a gregos e americanos, ganhou o jogo das incertezas e ajudou o País a cravar pontos no ranking das maiores potências do planeta. O Brasil fechou 2011 no posto de sexta maior economia mundial, segundo dados do Centre for Economics and Business Research, consultoria londrina responsável pelo ranking. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no País cresceu 6,12%, o dobro da média nacional, e atingiu R$ 822 bilhões, dos quais R$ 575 bilhões vieram da agricultura e R$ 247 bilhões, da pecuária. Em 2012, os especialistas acreditam que a produção e a renda no campo devem oscilar entre a estabilidade e o crescimento. Não há quem arrisque um quadro desastroso em nenhum setor. Para chegar a um retrato mais preciso, DINHEIRO RURAL preparou o Especial O Agronegócio em 2012, ouvindo produtores, empresários, diretores de entidades e consultores. As próximas 13 páginas sintetizam o que eles pensam sobre o ano que passou e o que esperam do ano que está começando.

Soja colhida em goiás: o produtor brasileiro já vendeu 65% da atual safra agrícola

Tudo conspirou a favor do produtor brasileiro na safra 2010/2011. A combinação de meteorologia favorável e preços de commodities em patamares históricos contribuiu para a colheita recorde de 162,9 milhões de toneladas de grãos. Em 2012, porém, a única certeza é a falta de um cenário previsível. Produtores e analistas do setor esperam uma certa acomodação dos preços internacionais, que vêm caindo nos últimos meses. O impacto da crise financeira mundial tanto pode ser a queda dos preços pela menor pressão na demanda quanto uma fuga para papéis lastreados em commodities.

Em relação ao clima, com a possibilidade da chegada da La Niña, fenômeno que costuma trazer estiagem no Sul do País e chuvas no Nordeste, não se espera que o regime de chuvas seja tão generoso com a lavoura como foi no ano passado. As chuvas de janeiro serão determinantes, já que as principais culturas foram plantadas até o início de dezembro.

Diante de tantas incertezas, os cenários traçados no fim de 2011 variam entre o pessimismo e a moderação. “O ano de 2012 não será tão bom, mas também não será um período ruim”, diz Amaryllis Romano, economista da Tendências Consultoria. “A China vai continuar comprando e sustentando os preços internacionais.” Em seu balanço anual, a Confederação Nacional da (CNA) traçou um quadro sombrio. A entidade acredita na desaceleração do crescimento chinês, entre 7% e 9%, e que a recessão na Europa piora ainda mais o cenário. Mas a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, diz que o maior problema derivado da crise europeia é o crédito. “Como 65% da soja, o grão mais exportado pelo País, é financiada pelas tradings na Europa, o problema deles pode repercutir aqui”, afirmou. A China é a principal compradora do grão brasileiro: 47% dos US$ 15,6 bilhões embarcados entre janeiro e novembro de 2011. Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), acredita que o nível de crescimento chinês ainda garante boa demanda para o produto brasileiro em 2012. “Vale lembrar que 65% da produção já foi vendida antecipadamente, o que reduz a insegurança do produtor”, diz Torres.

Ponto de vista

Com Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da

Depois de atingir altas históricas, o preço de commodities sofreu fortes baixas no fim de 2011. O que esperar em 2012?

Temos diversos fatores pela frente. Os estoques mundiais estão baixos, mas também existe um cenário de crise que inibe um pouco a demanda. No cenário interno, o dólar deve amenizar parcialmente possíveis quedas nos preços.

O atual Plano Safra tentou incluir segmentos, como os médios produtores. Isso ajudou no acesso dos agricultores ao crédito?

Não. O nosso problema hoje não é só o crédito. O nível de risco de inadimplência está muito elevado. O mais importante na política agrícola é o seguro. Precisamos chegar a R$ 2 bilhões e só teremos R$ 179 milhões, em 2012. Se tivéssemos um seguro maior, isso reduziria o risco, baixaria os juros e o crédito chegaria ao produtor.

Por que o governo e os produtores não conseguem equacionar esse risco e chegar a um valor adequado para o seguro?

A política deve priorizar o produtor, e não a produção, como é hoje no Brasil. Significa proteger a galinha dos ovos de ouro e, também, seus ovos. Não queremos financiar a incompetência nem a irresponsabilidade. Se quiser plantar uma quantia equivalente aos últimos anos, o governo vai lá e dá a garantia. O resto é por conta e risco do produtor.