01/07/2010 - 0:00
Pequenos: o criador tem quase dois metros, mas os seus bichinhos não passam de 80 cm
Esta história não é um conto da carochinha, mas traz consigo os encantos e a fantasia de um deles. Tratase da saga de um menino de 8 anos de idade que economizou todo o dinheiro da merenda por um ano para comprar um cavalo. Aos 10 anos, ele tinha uma tropa de 12 cavalos, todos pangarés. Aos 14 anos, trocou todos os animais por um único exemplar de mangalarga. Com 16, ele já era criador de animais de raça. Com o lucro do negócio, ao completar a maioridade, presenteou a si mesmo com um Fusca zerinho. Foi assim que Ariodante Beneduzzi, conhecido como Dantinho no agronegócio, deu início ao seu negócio, hoje composto por um plantel flutuante de 7,5 mil animais, 70 haras parceiros, com a venda média de 600 animais por ano, e faturamento que atinge R$ 1,8 milhão ao ano. O surpreendente, no entanto, não é o número de animais que ele possui, mas, sim, o fato de eles serem miniaturas. “Em 1983 fui presidente da Exposição Agropecuária de Socorro e resolvi comprar mini-horses para atrair crianças ao evento. Depois, estes animais foram para o meu haras e começaram a chamar a atenção dos compradores de mangalarga e quarto-de-milha que passavam por lá. Em determinado momento, eu vendia mais mini-horses que cavalos”, lembra Dantinho, que vendeu em maio um animal de 45 centímetros, o Pequeno Príncipe, por R$ 59,5 mil. Curiosamente, Dantinho tem quase dois metros de altura.
O menino empreendedor tornouse o atual líder neste mercado, que conta com aproximadamente 200 criatórios. Ele chega a vender 600 animais por ano com preço médio de R$ 3 mil, embora animais selecionados atinjam preços recorde. É um incontestável apaixonado pelos “baixinhos” e, pelo bom andamento dos negócios, não abandonará seus pequenos tão cedo, até porque o negócio é próspero. “Há um mercado em crescimento vertiginoso para estes animais”, diz Pedro da Silva Andrade Neto, presidente da Associação dos Criadores de Pôneis.
R$ 5 mil é o preço de um casal de minigado. As vaquinhas fornecem até oito litros de leite ao dia
No haras que fica no centro de Socorro (SP), região do Circuito das Águas, estão os principais garanhões do plantel e eguinhas que não passam de um metro de cernelha, num total de 80 animais. As que atingem esta altura são consideradas “grandes”. Ao ficar ao lado de uma delas, a sensação é de estar em um desenho animado. Pequeno Príncipe tem vida de rei em seu novo lar, em Maringá (PR). “Ele fica na baia, mas, na maior parte do tempo, está dentro de casa e almoça na mesa com a minha família”, diz o seu proprietário, Pascoal Leite de Albuquerque, que tem mais um exemplar de mini-horse em casa. “Os dois cavalinhos passam os dias brincando com as crianças.” Segundo Albuquerque, cada mini-horse consome um quilo de alimento por dia, entre feno, alfafa e ração. “Além de econômico, é encantador.” Tal fascínio já o deixou apaixonado. “Vou agora para a Argentina procurar animais tão pequenos quanto ele.” Ele se refere aos mini-horses falabela, precursores da espécie.
Falabela também foi a raça que Beneduzzi importou na década de 80. Mas, além dos cavalinhos, em sua propriedade rural há mais excentricidades lucrativas em miniatura: minibovinos e minicaprinos fazem parte da criação e pastam entre lhamas, adquiridas sem fins comerciais. “Vivem todos em harmonia”, diz Dantinho. Um casal de minigado, resultado do cruzamento entre jersey e girolando, custa em média R$ 5 mil e as fêmeas fornecem em média oito litros de leite por dia. O casal de minicaprinos sai por R$ 1,5 mil. Na ocasião da visita da equipe de DINHEIRO RURAL foi impossível fotografar dona minicabra, que estava em trabalho de parto. Dois minicabritinhos incrementam agora o rebanho, deixando o proprietário todo orgulhoso.