Paulo Pratinha:

família pretende expandir seus negócios no mercado de laranja e de fécula de mandioca

O Paraná é rico em culturas agrícolas e um dos maiores celeiros de grãos, fumo, madeira, mandioca e batata do País. Também já foi um dos maiores produtores de algodão. Tamanha diversidade faz do Estado um dos motores agrícolas do Brasil. Por esse motivo, no Paraná, a máxima “em se plantando, tudo dá” ganhou uma proporção muito especial quando o assunto é laranja e mandioca. Aliado ao clima e ao solo, o avanço dessas culturas vem se tornando lucrativo. Hoje, por exemplo, Paranavaí, na região noroeste, é responsável por 45% da produção total de laranja no Estado. Além da fruta destinada para consumo in natura, há, no município, empresas que realizam seu processamento e a fabricação do amido de mandioca. É o caso da Citri Agroindustrial S/A. Focada na produção de citros e derivados, especialmente o suco de laranja concentrado, a previsão da empresa para 2011 é colher 3,8 milhões de caixas da fruta. Deste total, 800 mil vão abastecer o mercado interno de frutas frescas e o restante será exportado. Estados Unidos e os países europeus são os principais destinos.

 

 

Parce ria nos negócios: os irmãos José Gilberto ( à esq.) Antonio Pratinha (à dir.) começaram a produção em larga escala, a partir da comercialização de mudas para a citricultura em Paranavaí (PR)

Com uma infraestrutura regionalizada, para se adequar à escala de produção que envolve uma grande logística, a Citri optou por um acordo comercial com a Cutrale, uma das gigantes do mercado global de suco de laranja. “Quando a rentabilidade está um pouco melhor, atendemos mercados secundários como Israel e Austrália”, diz Paulo Edson Pratinha, presidente da Citri. O empresário planeja atingir uma produção de seis milhões de caixas até 2014. Em 2010, o faturamento da Citri chegou a R$ 39 milhões. “Poderia ter sido maior se o câmbio ajudasse. Este ano promete ser melhor graças a queda nos preços de insumos e o surgimento de pomares novos”, diz. Para este ano, Pratinha estima aumentar as vendas para R$ 41 milhões. A Citri nasceu em 2000 pelas mãos dos irmãos José Antônio e José Gilberto Pratinha e do primo Paulo Pratinha, hoje na administração dos negócios. A história começou com comercialização de mudas para a citricultura. Uma década depois, a empresa se transformou em um dos maiores produtores individuais de laranja do Paraná, com uma área de 2,6 mil hectares dedicada ao plantio. Além de laranja, a Citri Agroindustrial produz derivados da fruta, como suco concentrado congelado, o D’Limoneno (composto químico, oleoso, encontrado na casca), óleo essencial de laranja (fixadores) e suco pasteurizado.

 

 

Derivados de mandioca: 60% da produção nacional de fécula vem da região do Paraná, que colhe 400 mil toneladas por mês. Só os Pratinhas destinam 800 hectares de área para a cultura que tem mercado

Em conjunto com outros produtores, também sócios minoritários da empresa, a Citri produz e exporta 12 mil toneladas de concentrado de suco de laranja por ano. O citricultor Sérgio Borges é um deles. Sócio da Citri desde 2005, ele começou a investir no setor em 2003. E diz não estar arrependendido. Borges chega a produzir 50 mil caixas de laranja por mês. “A vantagem de ser um sócio é a garantia de mercado e a viabilidade de comercialização”, afirma Borges. Caso não fosse assim, não ingressava neste segmento. “Hoje, os Pratinha, que saíram de São Paulo e fincaram raízes no Paraná, dividem com 57 sócios minoritários, como Borges, a produção, geração de empregos e o fortalecimento da economia da região de Paranavaí. “Nossas mudas continuam abastecendo o mercado da citricultura”, diz José Gilberto Pratinha. “Comercializamos dois milhões delas por ano.” As variedades das mudas que surgiram, por meio de estudos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e potencializaram a produção de laranja no Estado, estão nas mãos da família.

Os primeiros laranjais paranaenses surgiram em 1987, graças à liberação de plantio, que ocorreu na década de 1980, após 20 anos de interdições devido às doenças da cultura (como o greening e o cancro cítrico). “Hoje, é possível trabalhar sem a presença dessas doenças”, afirma José Antônio Pratinha. Na avaliação de Christian Lohbauer, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR ), com o aumento dos preços das terras em São Paulo, maior produtor nacional de laranja, a expansão para novas áreas tornouse uma tendência. “O surgimento dos novos pomares acompanha o movimento de grandes processadores de laranja, que há alguns anos começaram a migrar e a crescer no sul do País”, diz Lohbauer. “Apesar de regionais, as empresas são sérias e competentes.” Atualmente, operam no Paraná as cooperativas Corol, em Rolândia, a Cocamar e a Agroindústria Citri, em Paranavaí.

 

juntas

Citri e CM3 contribuem para o crescimento do mercado da cultura de laranja e mandioca

3% é a participação do Paraná no ranking nacional de produtores de laranja. O Estado é o quinto maior produtor do País

25 milhões de toneladas é o volume da produção nacional de mandioca

600 mil toneladas de mandioca são transformadas em amido, anualmente

 

Sempre inovando, a Citri apresentou para o mercado em 2010 um novo suco. Ainda sem nome, o produto 100% natural será comercializado refrigerado a partir de 2012. “Nossa meta é atender uma lacuna no mercado brasileiro, a de suco concentrado. O que existe hoje são apenas néctares”, diz Paulo Pratinha.

Na trajetória da empresa, 2005 foi o ano que marcou o nascimento da cooperativa CM3 Agroindustrial – criada porque possibilitava a redução dos custos de produção com a compra de insumos com tributação diferenciada – e deu-se início a uma nova atividade. “Foi nessa época que surgiu a ideia do processamento da mandioca, que já era um cultivo praticado por outros citricultores”, diz Paulo Pratinha. O plantio surgiu como aproveitamento da área e geração de receita enquanto os pés de laranja são novos. Além disso, reduz os custos do pomar. “O casamento das culturas deu tão certo que contribuiu para que Paranavaí conquistasse o título de “terra da mandioca”. Hoje, 60% da produção nacional da fécula vêm da região, que colhe anualmente 400 mil toneladas da raiz. A família Pratinha, por exemplo, destina 800 hectares para a cultura de mandioca. A fécula é o amido extraído da mandioca. Também conhecida como goma ou polvilho, ela tem inúmeras utilizações por diferentes indústrias como a alimentícia, farmacêutica e têxtil.

 

 

sérgio borges:

um dos sócios da Citri, produz 50 mil caixas de laranja por mês e diz que a produção e a comercialização são garantidas

A cooperativa também cresceu. Localizada no espaço do parque industrial da Citri, conta atualmente com 104 cooperados que são responsáveis pela produção de diversos amidos distribuídos em linhas de produtos derivados da mandioca. São féculas/amidos “in natura”, amidos modificados para a indústria alimentícia e modificados para produção de papel, para atender ao mercado interno. A expectativa da cooperativa é de que a produção em 2011 atinja 50 mil toneladas. Até 2015, a CM3 planeja um substancioso aumento de 50% na produção. A regularidade do preço no mercado é um dos fatores apontados por Paulo Pratinha para esse otimismo. “Desde 2009, há um patamar razoável de valorização da cultura devido ao baixo estoque”, diz.

Outra vantagem apontada pelos produtores de mandioca é o ciclo da cultura, que se mantém o ano inteiro. Ao contrário do milho, concorrente na produção de amido, que além de duas safras anuais ainda tem os grãos destinados à produção de etanol e alimentos. “No caso da mandioca, 90% da produção se destina ao consumo in natura”, diz Paulo Pratinha. “Com isso, há um mercado crescente de produção de fécula, que pode aumentar a gama de modificados”, diz Paulo Pratinha.