Londres, 16 – Depois de dois anos seguidos de escassa oferta global de café, com déficits nas safras 2014/15 e 2015/16, a Organização Internacional do Café (OIC) prevê que há certo potencial para a recuperação em 2016/17, particularmente no caso dos grãos arábica. A projeção foi apresentada no Relatório Mensal de Novembro sobre o mercado cafeeiro, divulgado nesta sexta-feira, 16, pela OIC, entidade do setor que tem sede na capital britânica. Apesar do otimismo em relação à produção de cafés do tipo arábica, a instituição ainda projeta que a produção de robusta cairá na maioria dos principais produtores. “As perspectivas para os arábicas são mais positivas”, resumiu a entidade no documento.

As melhores previsões para a oferta do produto levam, no entanto, a uma correção baixista dos preços no mercado de café, de acordo com a OIC. “A recente recuperação dos preços do café sofreu uma inversão significativa em novembro de 2016, atribuível às perspectivas de melhor tempo no Brasil e no Vietnã e, simultaneamente, à depreciação do real brasileiro”, pontuou a entidade.

Esse quadro, segundo a OIC, reduziu as preocupações com o futuro da oferta, apesar de o mercado ter sido deficitário nos dois últimos anos e das perspectivas ainda pouco otimistas da produção de robusta. “Continua a haver café suficiente e, nos 12 últimos meses, as exportações totalizaram 112,4 milhões de sacas (60 kg).”

Após alcançar o ponto mais alto de sua evolução diária em 23 meses, com 155,52 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em 7 de novembro, o indicativo composto da OIC despencou para 137,01 centavos no fim do mês, com uma perda de mais de 18,5 centavos. “Esse declínio é atribuível à melhora das perspectivas da oferta futura e à depreciação do real brasileiro, após vários meses de apreciação”, explicou a entidade.

A despeito da inclinação baixista, a organização destacou que a média mensal de novembro terminou 2,2% acima da média de outubro, registrando 145,82 centavos, seu nível mais alto desde janeiro de 2015. O declínio dos preços diários pode ser confirmado pelos indicativos dos três grupos de arábica, que caíram cerca de 25 centavos entre seus pontos mais altos e mais baixos no decurso de novembro. Os preços diários do robusta chegaram a cair 8 centavos de dólar, mas sua média mensal fechou quase inalterada em relação à média de outubro. “A arbitragem diária entre as bolsas de futuros de Nova York e Londres diminuiu bastante e, no fim de novembro, girava em torno de 60 centavos. A volatilidade dos preços cresceu consideravelmente.”