“Com manejo correto, obtive uma boa qualidade e agora posso vender a preços acima da média”

DJONAS SCHROEDER, produtor de tabaco

Ao observar o tom alaranjado das folhas de tabaco que lotam sua estufa, o produtor gaúcho Djonas Gilberto Schroeder não esconde sua satisfação. Afinal, a coloração indica a alta qualidade de sua produção de pouco mais de 33 toneladas e permite que ele comercialize sua safra a preços acima da média, alcançando um faturamento bruto de R$ 198 mil. Isso em uma área de apenas 3,6 hectares, em sua propriedade na cidade de Santa Cruz do Sul (RS). “Nenhuma outra cultura proporciona essa margem de ganho, neste espaço de terra”, comemora o produtor. O agricultor fornece toda a sua produção para a Souza Cruz, num regime de produção integrada. Para a empresa, a vantagem de verticalizar a produção. Para os agricultores, a certeza da entrega e recebimento pela produção. “E assim não precisamos investir em áreas próprias”, ressalta o diretor de fumo da empresa, Dimar Frozza. A companhia, que fechou o primeiro semestre de 2008 com receita bruta de R$ 2,9 bilhões e detém participação de 75% do mercado brasileiro, trabalha com 40 mil produtores, espalhados por 700 municípios dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, responsáveis pela produção de 190 mil toneladas de fumo. “Isso responde por 100% da matéria-prima que utilizamos”, conta o executivo.

PARCERIA Dimar Frozza, da Souza Cruz (à dir.), e o casal Milton e Inês. Programa garante compra de toda a safra dos produtores

Nesse modelo, hoje incorporado por todas as empresas do setor de tabaco, a companhia financia a produção dos agricultores, fornecendo assistência técnica, repasse de insumos, custeio do transporte da produção, além de garantir a compra de toda a safra. Dessa forma, é possível ter uma grande rede de fornecedores e controlar a qualidade do produto. “Esse sistema é altamente sustentável e nos permite rastrear toda a produção.”

Para o produtor Milton Kussler, a grande vantagem para quem participa desse programa é poder plantar sabendo que a produção já está comercializada. “Nós planejamos a safra e iniciamos o plantio já sabendo quanto precisamos produzir. Isso nos dá mais segurança”. Com a esposa, Beatris Inês Kussler, ele toca a propriedade de 6,87 hectares, onde produzem cerca de 18 toneladas de fumo e conseguem vender a R$ 5,90 o quilo. “É uma atividade muito rentável, desde que se tenha qualidade.”

Com acompanhamento técnico e acesso a insumos, os produtores conseguiram dar um salto de produtividade e aumentar seus ganhos, como é o caso do produtor Arvino Schlitte, que há 50 anos trabalha com produção de tabaco. Em uma área de pouco mais de 2,8 hectares, ele mantém uma média de produção de 2,7 toneladas por hectare. “Essa produção vem crescendo a cada ano, graças a práticas adequadas de manejo que os técnicos me indicam”, diz o produtor, que na última safra teve um faturamento de R$ 78 mil. Outro exemplo é o jovem agricultor Eduardo Rech, que produz em área própria há apenas sete anos. Ele revela que o acesso a tecnologia tem sido o diferencial na sua propriedade de 3,6 hectares, onde produz cerca de três toneladas por hectare. “Com acesso a variedades melhoradas minha produtividade e meus ganhos cresceram, tanto que aumentei minha produção de 45 mil pés para 60 mil pés nesta safra.”

PRODUTOR ARVINO SCHLITTE: produzindo em apenas 2,7 hectares, ele consegue faturamento de R$ 78 mil