Costa Rica: 2,5 mil funcionários trabalham a todo vapor para concluir a usina até novembro

Nas últimas décadas, o Brasil criou o maior programa de combustível renovável do mundo, a partir da cana-de-açúcar e mudou, definitivamente, seu cenário agrícola. A União da Indústria de Cana-de- Açúcar (Unica) estima que, nesta safra de 2011/2012, as usinas irão processar 568,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um crescimento de 2% em relação ao total processado na última safra. Tem sido sempre assim. Não há ano em que o anúncio não seja de aumento da produção, movido pelas oportunidades de negócios no setor. No grupo dos que apostam em investimentos pesados nessa área figura a ETH Bioenergia, do grupo baiano Odebrecht. Nos últimos anos, a empresa arquitetou um cronograma de incremento da produção, que vem ganhando ritmo acima do inicialmente planejado. No comando do programa de expansão da ETH está o executivo José Carlos Grubisich, que fez carreira internacional na francesa Rhodia e foi contratado em 2001 para implantar a Braskem, braço petroquímico da Odebrecht, onde permaneceu até 2008.

Naquele ano, ao assumir a presidência da ETH Bioenergia, Grubisich recebeu o desafio de fazer a empresa processar 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para produzir, em dez usinas, três bilhões de litros de etanol e gerar 2,7 mil gigawattshora de energia, por ano, a partir da biomassa. A tarefa de Grubisich, que era para se concretizar em sete anos, deverá tornar-se realidade em cinco, em 2013. “Estamos acompanhando o expressivo crescimento do setor”, diz Grubisich.

Para fazer a empresa andar rapidamente, Grubisich contou com um aporte de R$ 6 bilhões para investimentos em infraestrutura. Em junho, a ETH Bioenergia abriu, pela primeira vez à imprensa, as portas de uma de suas usinas em construção. A equipe da DINHEIRO RURAL percorreu o canteiro de obras da unidade de Costa Rica (MS) e conferiu o trabalho de aproximadamente 2,5 mil operários, a todo vapor, para inaugurar a unidade em meados de novembro, na qual estão sendo investidos R$ 900 milhões. Na sequência, DINHEIRO RURAL foi ver a colheita mecanizada de cana-de-açúcar, em 400 hectares arrendados na Fazenda Fabiano, em Alto Taquari (MT), onde seis máquinas devem obter 120 toneladas de cana por hectare. “Não temos área própria de plantio”, diz Ronan Aquino Milhomem, supervisor de desenvolvimento agronômico da ETH. “As terras são arrendadas e também compramos cana por meio de contrato, de acordo com o valor de mercado.” Ao todo, 21 mil hectares de cultivo de cana abastecem a fábrica de Alto Taquari.

Polo araguaia: responsável por 40% do faturamento da ETH, deve colher cinco milhões de toneladas de cana-de-açúcar

 

Grubisich: a ETH vai moer 40 milhões de toneladas de cana e produzir três bilhões de litros de etanol em 2012/2013

Há três anos, quando Grubisich assumiu o comando da ETH, a empresa operava apenas duas usinas, uma em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, e outra em Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul. À época, a moagem das duas unidades não chegava a três milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Nos planos de crescimento, era aguardado para 2009 o início das atividades das usinas de Nova Alvorada do Sul (MS) e de Caçu (GO). “Mas foi com a aquisição da Brenco, em 2010, que aceleramos o nosso processo de crescimento”, diz Grubisich. A Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) havia sido criada em 2007, com planos de se tornar líder global na produção de etanol. Na sustentação do empreendimento, encabeçado pelo ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reichstul, estavam grandes grupos internacionais.

Com o controle da Brenco nas mãos, a ETH colocou, em marcha, em 2010, a construção do polo Araguaia, na divisa dos Estados de Mato Grosso e Goiás, inicialmente com duas unidades, a de Mineiros (GO) e a de Alto Taquari. No fim deste ano, além do início do funcionamento das caldeiras da usina de Costa Rica, mais uma unidade deve entrar em operação, em Água Emendada (MT). “A empresa ficou operacional e caminha a passos firmes para se tornar líder na produção de etanol e energia”, diz Grubisich.

Na primeira semana de julho, a ETH Bioenergia completou quatro anos de vida com um faturamento estimado em R$ 4 bilhões, para este ano. “Ainda disponho de R$ 1,5 bilhão para injetar na empresa, entre 2011 e 2012”, diz Grubisich. Segundo ele, até agora não foi totalmente definido que direcionamento terá o montante de recursos disponíveis. Mas para a safra 2012/2013 faz parte dos planos da empresa aumentar em 66,7% a área de plantio de cana, para 500 mil hectares, e mecanizar a colheita em 100%. “Para crescer nesta velocidade não podemos perder tempo”, diz Fabiano Zillo, superintendente do polo Araguaia. Segundo o executivo, após a inauguração da usina de Costa Rica, em novembro, haverá tempo para processar, ainda nesta safra, a moagem de 200 mil toneladas de cana que, somadas à produção de Alto Taquari e de Morro Vermelho, devem chegar a cinco milhões de toneladas, em quase 90 mil hectares cultivados. De acordo com o presidente da ETH, o polo Araguaia deve responder por 40% do faturamento da ETH. “Em 2012, teremos, só no complexo, uma capacidade de moagem de 15 milhões de toneladas, suficientes para produzir 1,4 bilhão de litros de etanol”, diz.

Zillo: o mercado doméstico deve ficar cada vez mais aquecido, mas a produção do Brasil ainda levará tempo para acompanhar

Toda a produção de etanol da empresa tem como destino o mercado interno que, segundo Zillo, deve ficar cada vez mais aquecido. “Estamos contribuindo para o equilíbrio entre a oferta e a demanda do País, mas, por enquanto, o consumo sobe de elevador e a gente de escada”, diz.

Para Grubisich, o Brasil só deveria atender o mercado externo após o total ajuste doméstico. “Na medida em que o setor crescer, o País passará naturalmente a ter participação no mercado internacional”, afirma. O salto viria depois de 2016, mas, como não quer perder tempo, a ETH estuda a internacionalização de sua produção. De acordo com Grubisich, a empresa montou uma equipe encarregada de mapear a capacidade industrial da África e da América Latina. “Não temos um projeto definitivo, o estudo termina em 2012”, diz ele. “Só depois vamos tomar decisões de novos investimentos.”

O futuro próximo da ETH

Na safra 2012/2013, as nove usinas vão produzir:

40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, em 500 mil hectares

3 bilhões de litros de etanol

2,7 mil megawatts/ hora de energia

700 mil toneladas de açúcar

 

Refúgio

recuperado

Recurso: investimento de R$ 500 mil garantiu a reabertura do parque

Parceria com Instituto Chico Mendes resgata Parque das Emas

No dia 5 de junho, o Parque Nacional das Emas, um dos santuários ecológicos do País, foi reaberto. Ele estava fechado desde agosto do ano passado, depois de ser destruído por um incêndio. Para sua reabertura foi importante a parceria firmada entre a ETH Energia e o Instituto Chico Mendes (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. A empresa doou R$ 500 mil para que a área passasse a contar com um plano de combate a incêndio e recuperação de trilhas, além da aquisição de um veículo adaptado para visitação.

O incêndio destruiu 122.760 hectares do total de 132 mil hectares do Parque, 93% da vegetação nativa. O Parque Nacional das Emas, localizado na junção dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, fica próximo da usina de Alto Taquari. “A região é extremamente sensível, em função da nascente do rio Araguaia, que abastece parte do Aquífero Guarani”, diz Fabiano Zillo, da ETH Bioenergia. A vegetação predominante é de campo limpo e cerrado, formado por arbustos e agrupamentos de árvores. Entre os animais encontrados estão, obviamente, a ema, mais o veado-campeiro, o cachorrodo- mato e o tamanduábandeira. Ao mesmo tempo, são encontradas mais de 350 espécies de aves, como os tucanos e as araras-canindé.