O Paraná oficializou, na quinta-feira, 3, na B3, o lançamento do primeiro Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) estadual do País, com potencial inicial de R$ 2 bilhões e previsão de expandir o modelo para alavancar até R$ 14 bilhões nos próximos meses. O mecanismo busca suprir a insuficiência de recursos do Plano Safra federal para investimentos no campo.

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Com um aporte inicial de R$ 350 milhões do governo estadual via Fomento Paraná, o fundo utilizará a estrutura de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para oferecer financiamentos a juros subsidiados, em torno de 9% ao ano, com foco em projetos de infraestrutura para o agronegócio paranaense.

“Estamos colocando R$ 350 milhões que alavancam R$ 2 bilhões. O Estado já tem recursos reservados para lançar mais quatro ou cinco fundos nos próximos meses”, afirmou o governador Ratinho Junior, durante a cerimônia de lançamento. “Acredito que até meados de agosto, setembro, teremos mais quatro fundos lançados.”

O modelo funciona com o governo atuando como cotista sênior, subsidiando parte dos juros, enquanto a gestão fica totalmente a cargo da iniciativa privada. A Suno Asset, selecionada via edital público, será responsável pela administração do fundo, com estruturação da Valore Elbrus.

A demanda por fundos específicos já é expressiva, segundo o governador. “Temos mais quatro cooperativas que estão preparando seus fundos. O Banco New Holland também já está fazendo o mesmo. São quase 10 segmentos do setor do agro que querem levantar seu fundo”, detalhou. Os recursos serão direcionados exclusivamente para investimentos de médio e longo prazo, e não para custeio. O foco serão projetos de armazenagem, sistemas de irrigação, aviários e plantas industriais. “É para realmente gerar riqueza”, ressaltou Ratinho Junior.

O fundo integra a estratégia do governo paranaense de industrializar a produção agrícola, agregando valor às commodities. “Não queremos mais ser apenas produtores de matéria-prima. Queremos ser um supermercado do mundo”, declarou o governador, explicando que a industrialização pode quadruplicar o valor da produção primária.

A indústria local será beneficiada, mas sem restrições absolutas. “Temos algumas regras para preferencialmente comprar produtos do Paraná, mas isso não impede que não se possa adquirir de outros Estados, quando necessário”, esclareceu.

Na avaliação do governador, o modelo surge como resposta às limitações do Plano Safra federal, que tem enfrentado restrições orçamentárias e não acompanha a expansão do setor. “O agronegócio cresce a taxas de 25% ao ano, e o Plano Safra sozinho não atende toda a demanda”, afirmou.

O lançamento ocorre em um cenário de juros elevados que, segundo o governador, torna inviáveis muitos investimentos necessários. “O dinheiro está tão caro que dificulta o investimento no patamar que seria desejável. Quando surge uma solução com juros mais acessíveis, o setor se anima”, disse.

Informações de bastidores indicam que os próximos fundos devem ser direcionados a nichos específicos, como bioenergia, logística e máquinas agrícolas. O modelo paranaense já desperta interesse de outros Estados, que veem nele uma possibilidade de descentralizar o financiamento agrícola.