01/11/2008 - 0:00
conseguiu formar uma pequena
agroindústria de sucesso e faturar mais de R$ 500 mil por ano com
a venda de compotas de alcachofra
Ainda pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, a alcachofra é uma flor imatura, da família das margaridas e dos girassóis. Originária das regiões mediterrâneas da Europa, África e Ásia, ela foi introduzida no Brasil por imigrantes italianos e tem se tornado uma boa opção de negócios para quem possui pouca terra disponível. No Estado de São Paulo, a flor vem ganhando espaço graças à alta gastronomia e ao agroturismo. Nesse último item, merecem destaque dois municípios no interior paulista: Piedade, o maior produtor estadual da flor, e São Roque, cidade em que os plantios de alcachofra estão inseridos no roteiro do vinho do município. O sítio Bonsucesso, de José Ortmann, o Juca, e Analídia Ortmann, é um dos pontos turísticos. A propriedade tem meio hectare com três mil pés de alcachofra, que estão abertos à visitação. Além disso, tem uma pequena agroindústria, que elabora produtos à base de alcachofra: conservas, patês, quiches, tortas e esfirras. “Em cada edição da Expo São Roque (feira voltada aos admiradores de alcachofra e vinho), eu invento uma receita nova. Neste ano, a novidade foi o quiche”, conta Analídia, que junto com o marido percebeu o potencial econômico da cultura.
ANALÍDIA ORTMANN: agregou valor à flor com uma fábrica de compotas
Ao contrário da maioria dos produtores da cidade que nasceram com os pés na terra, eles foram para São Roque há cerca de 12 anos. “Nós morávamos em São Paulo e meus pais aqui, mas minha irmã foi embora para Minas e meus pais pediram que viéssemos, porque não queriam ficar sozinhos”, diz a empresária. Acostumada a trabalhar, ela não agüentava ficar parada. Nessa época, Juca começou o plantio de alcachofra e Analídia passou a ajudá-lo. O início foi difícil. “Colhíamos a alcachofra, colocávamos na Saveiro e íamos vender na feira aos domingos. O que sobrava, a gente levava para a Rodovia Raposo Tavares e ficávamos lá até acabar”, relembra Juca. A idéia de agregar valor ao produto veio de uma conversa de Analídia com uma tia. “Ela fazia congelados e eu a ajudava. Então começou a me aconselhar a fazer conservas de alcachofra”, relembra Analídia, que seguiu o conselho. O negócio começou a deslanchar e logo o casal Ortmann parou de vender as alcachofras, porque todo volume produzido passou a ser usado para a fabricação dos produtos.
OPÇÃO: seu Valdotrocou as uvas pela alcachofra e diz que fez um ótimo negócio
Hoje, o sítio Bonsucesso tem clientes como o Spaguetti Notte, restaurante que fica no Shopping Morumbi, em São Paulo. A pequena agroindústria emprega cerca de 15 pessoas e produz uma média de 200 vidros de conserva de alcachofra por dia, que são vendidos por R$ 14 a unidade. Ou seja, essa produção corresponde a uma renda bruta de R$ 56 mil por mês ou R$ 672 mil ao ano.
APRESENTAÇÃO PERSONALIZADA: sítio se preocupa em envasar as compotas com cuidados de higiene
A lavoura de alcachofras, agora, fica para a visitação dos turistas. O forte mesmo é a agroindústria. E, para mantê-la funcionando, Analídia compra a produção de agricultores da região. Afinal, são consumidas sete ou oito unidades da flor para fabricar um pote de conserva. O produtor Waldemar de Moraes, do sítio Moraes, é um dos fornecedores. Seu Valdo, como é conhecido, começou a plantar a flor há 12 anos, como forma de diversificar a plantação. “Os parreirais estavam velhos e não estavam produzindo bem, então resolvi mudar e plantar um pouco de alcachofra”, conta. Hoje, ele tem 2,5 hectares da flor e não se arrepende. “A renda com a alcachofra é o dobro da renda da uva”, observa. “Você planta no início do ano e em setembro ela já está produzindo”, conta o agricultor. Por ser uma flor, a produção acontece na primavera: começa em setembro e vai até meados de dezembro. No período da entressafra, aplica-se um hormônio vegetal para que a planta solte botões. Cada pé produz entre oito e 12 alcachofras. Nas feiras, a maior sai por R$ 2,50, a média a R$ 1,50 e a pequena por R$ 0,80. No entanto, se o sabor é bom, melhores ainda são as propriedades medicinais da planta. A flor ajuda nas atividades gastrointestinais, combate a diabete, tem ação curativa na cirrose, etc. Além disso, é uma alternativa de renda para pequenas áreas e pode ser usada nos mais diversos pratos: salpicão, estrogonofe, saladas, etc. Versatilidade para ninguém botar defeito.