Prevenção: fazendeiro de Vicksburg, no Estado do Mississippi, cercou sua propriedade com barragem para escapar da fúria das águas

A enchente do rio Mississippi, já considerada uma das piores da história, está trazendo prejuízos sem precedentes para todo o Sul dos Estados Unidos. As perdas para uma das mais tradicionais regiões agrícolas do país certamente serão bilionárias, embora as estimativas ainda sejam preliminares. As águas do lendário rio americano estão inundando fazendas localizadas às suas margens, desde o Estado do Tennessee até a Louisiana, afetando também o comércio, já que o Mississippi é uma das maiores hidrovias do mundo e uma das principais vias de escoamento de grãos do país.

Fabricada pelo grupo sul-africano Distell, na Amarula Lapa, em Phalaborwa, na província de Limpopo, a bebida surgiu em 1989, depois de anos de pesquisa. Os efeitos no agronegócio são severos. A American Farm Bureau Federation (AFBF) estima que cerca de 3,6 milhões de acres de áreas agrícolas (1,45 milhão de hectares) tenham sido prejudicadas até agora pela enchente. Isso representa pouco mais de 1,5% da área ocupada pelas fazendas americanas. Um dos cultivos mais afetados, segundo a AFBF, é o de arroz, concentrado nas áreas do delta do Mississippi. Estima-se que 40% da colheita deste ano possa ser perdida. Mas plantações de trigo, milho e soja que margeiam trechos mais acima do rio também estão submersas.

Entre os Estados do Sul, a maior área debaixo d’água fica em Arkansas, com um milhão de acres(400 mil hectares). Outros Estados com grandes extensões atingidos são o Tennessee, Mississippi e Missouri. “Não há dúvidas. O efeito da enchente está sendo profundamente sentido pelos agricultores e pecuaristas em todo o Sul”, diz o economista-chefe da AFBF, Bob Young. “Isso nos lembra das enchentes de 1993 e 1995”.

O mapa da inundação

 

Tornados e temporais: plantações submersas, cidades destruídas e mortes passam a fazer parte do dia a dia dos americanos

Os economistas ainda estão começando a calcular o tamanho do prejuízo. Michael Hicks, diretor do Centro de Pesquisa Econômica da Ball State University, do Tennessee, estima que os danos fiquem entre US$ 6 bilhões e US$ 9 bilhões, na região entre Memphis e o golfo do México. Os cálculos de Hicks, reproduzidos pelo jornal New York Times, consideram não apenas as perdas do setor agrícola, mas o fechamento de negócios no setor de serviços e, principalmente, atrasos e interrupção no importante comércio hidroviário, já que o Mississippi conecta o coração do Meio- Oeste a portos como o da Louisiana, o maior do país em tonelagem, responsável pela exportação de metade dos grãos dos Estados Unidos.

Mas o desastre natural não é o único culpado pela devastação no Sul. A enchente do Mississippi tem um componente de polêmico porque, em parte, a magnitude de seus efeitos em cada região está sendo determinada pelo governo dos Estados Unidos. O rio Mississippi conta com um complexo sistema de diques e vertedouros construído na década de 1950, que afunilou o curso do rio e permitiu o cultivo agrícola em áreas que antes eram pântanos. Agora, para proteger as cidades de Baton Rouge, capital da Louisiana, e Nova Orleans, que poderiam ser devastadas se atingidas por todo o volume de água que vem descendo o rio, o Corpo de Engenheiros do Exército americano, que administra o sistema, decidiu inundar outras áreas.

A primeira abertura foi a do vertedouro de Bonnet Carre, ao norte de Nova Orleans, que jogou parte do fluxo do rio para o Lago Pontchartrain. A segunda, a do vertedouro de Morganza, ao norte de Baton Rouge, inundou a bacia de Achafalaya, onde estão milhares de fazendeiros. Essa ‘válvula’, construída em 1954, só havia sido aberta uma vez, na enchente de 1973. Também foi destruído propositalmente um dique de contenção no Missouri, o de Birds Point. Inundações periódicas que afetam parcelas menores das terras fazem parte da rotina dos fazendeiros ao longo do Mississippi, mas a deste ano parece ser uma das mais graves da história.

Randy Ouzts, da empresa Horizon Ag, em Memphis, afirma que nunca viu uma enchente de tamanha proporção. “Mesmo fazendeiros de áreas mais altas estão perdendo suas safras”, diz. A enchente foi particularmente frustrante para fazendeiros que estavam animados com a alta dos preços dos grãos. Muitos tinham as safras quase prontas para a colheita, quando perderam tudo para a força das águas. Marty Frey e seus três irmãos deram sorte. A família é dona de uma fazenda de 970 hectares na Louisiana, onde cultiva trigo e arroz, além de criar lagostins, não muito longe dos portões de Morganza. Hoje, pouco mais de 100 hectares estão sub-mersos. Com seguro e a colheita antecipada do trigo, os irmãos conseguiram evitar a ruína neste ano. Mas a safra de arroz foi perdida e Frey ainda não sabe de quanto será seu prejuízo.

Em Yazoo County, no Missouri, John Phillips, agricultor de 61 anos, lamenta a perda de milhares de hectares em lavouras de milho e algodão, que reduzirá sua renda anual em 40%. “Na área do delta sul, é um desastre generalizado”, disse Phillips ao New York Times. A chamada “cheia de 500 anos” ajudou a aumentar as incertezas sobre os preços futuros do milho, trigo e soja ao longo do mês de maio.

 

Não apenas os produtores de grãos estão sofrendo. Na Louisiana, fazendas de ostras foram inundadas depois da abertura do vertedouro. Já afetada pelo desastre provocado pelo vazamento da British Petroleum, em 2010, a indústria pesqueira e de criação de frutos do mar, crucial para a economia do Estado, volta a sofrer. A aflição dos sulistas americanos está longe de acabar. O rio Mississippi atingiu seu nível máximo na última semana de maio, mas o Exército previa que a inundação só recuaria a partir de julho.

Além das inundações do rio Mississippi, outros fenômenos metereológicos estão afetando o Meio-Oeste e o Sul dos Estados Unidos. Diversos Estados estão sofrendo com uma das piores temporadas de tornados das últimas décadas. O mais grave atingiu a cidade de Joplin, no Missouri, e matou pelo menos 125 pessoas, ferindo outras 900. Foi o tornado mais mortal dos últimos 65 anos. Em todo o país, as tempestades dobraram em relação ao ano passado: foram mais de 1.150 até o final de maio. Mais de 500 pessoas morreram, principalmente nas áreas urbanas atingidas, como em Tuscaloosa, no Alabama. As redes de tevê passaram a última semana de maio emitindo alertas sobre possíveis tempestades em grandes cidades, como Dallas, no Texas, e Cincinatti, em Ohio.

Radiografia da cheia

Algodão, milho, trigo e arroz são as culturas mais afetadas

1,45 milhão de hectares está debaixo d’água

Perdas estimadas entre Memphis e o golfo do México vão de US$ 6 bilhões a US$ 9 bilhões

Sistema de diques e vertedouros foi construído na década de 1950

Da nascente à foz, o conjunto Missouri- Mississippi é de cerca de 6.300 km