MANIFESTAÇÃO: MST e Via Campesina protestam em frente ao escritório da Syngenta

No dia 7 de março, manifestantes ligados ao MST e à Via Campesina ocuparam três escritórios da multinacional Syngenta. As invasões aconteceram nos municípios paranaenses de Londrina, Campo Mourão e Ponta Grossa. Mesmo com decisões judiciais favoráveis à reintegração de posse, a empresa continuava com sua unidade de pesquisa em Santa Tereza do Oeste, a 540 quilômetros da capital Curitiba, ocupada por manifestantes. Em outubro do ano passado, no mesmo local, em um confronto armado, um manifestante morreu após troca de tiros com seguranças. Desde então, lideranças dos movimentos pseudo-sociais, começaram uma verdadeira caça à empresa. Qual o motivo de tanta hostilidade?

A Syngenta é uma das grandes players do mercado agrícola. Está presente em 90 países ao redor do mundo e fatura US$ 9.2 bilhões por ano. Por dia, são investidos US$ 2 milhões em pesquisas e desenvolvimento de novos produtos. Além disso, os transgênicos estão no topo da lista entre os interesses da multinacional. Esses são alguns dos números que colocam essa empresa suíça como um dos maiores grupos do agronegócio mundial e um belo alvo para grupos que desejam visibilidade. E, mesmo com todas essas celeumas, o Brasil ainda receberá aportes de US$ 400 milhões até 2012.

LUCRO QUE BROTA: variedade de milho transgênico no começo da germinação

Nascida no ano 2000, com a fusão das companhias Novartis e AstraZeneca, a empresa vem registrando crescimentos vigorosos, principalmente na área de defensivos. Grande parte desses resultados vem do Brasil, seu segundo mercado e onde, há três anos, ela disputa a liderança na venda de agroquimicos, setor que movimenta cerca de US$ 5,3 bilhões no País, de acordo com dados da Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas (Aenda). Só em 2007, as vendas da Syngenta neste segmento atingiram US$ 965 milhões, um crescimento de 41% em relação ao ano anterior, quando as vendas chegaram a US$ 690 milhões. “Em 2007, tivemos nosso melhor desempenho e consolidamos nossa liderança no mercado brasileiro”, afirma o diretor da área de proteção ao cultivo da Syngenta, Laércio Giampane.

Com o mercado de agroquimicos bem solidificado, a empresa pretende avançar também no setor de sementes de alto desempenho, com destaque para o mercado de produtos transgênicos, cuja concorrência com gigantes, como a americana Monsanto, será um desafio. “A área de sementes de grandes culturas representa a complementação do portfólio de produtos da Syngenta, cuja amplitude é essencial para a estratégia de atuação da empresa”, avalia o executivo.

Entre os produtos geneticamente modificados, a companhia espera fazer sua estréia no Brasil com o milho Bt11, variedade resistente ao ataque de insetos, que já passou pela avaliação da CTNBio para liberação comercial, mas ainda aguarda a decisão do Conselho de Biossegurança. Segundo informações da empresa, essas sementes de milho geneticamente modificadas em aprovação na CTNBio já são cultivadas e consumidas em outros países desde 1996, tais como EUA, Argentina, Japão e Canadá. A Syngenta também lançou no início do ano três variedades de soja tolerantes ao glifosato, a VMax RR, a Spring RR e a NK 7074 RR.

FUTURO: empresa foca no mercado de sementes transgênicas para aumentar portfólio

Enquanto busca crescer no mercado de sementes, a companhia traça planos para continuar firme no setor de agroquimicos. Para manter os lucros, a aposta está em uma estratégia aparentemente simples: investimento em portfólio diversificado e programas de fidelização de clientes. Segundo Giampane, um dos grandes trunfos da Syngenta é possuir uma linha de produtos que atende a várias culturas. Embora os resultados da empresa sejam comemorados, Giampane diz que o foco da empresa não está na liderança do mercado. “Não nos preocupamos apenas em crescer mais do que o mercado. Queremos construir uma empresa com longevidade e sustentabilidade”, afirma. Acredite ou não o MST.